Neurofeedback e qEEG

Esse vídeo demonstra a coleta de dados eletrofisiológicos para a análise com a técnica EEG quantitativo (ou qEEG). Nesse contexto, a utilização não tem finalidade diagnóstica, mas sim a identificação de padrões de ativação que possam estar relacionados com estados psicoemocionais ou com o funcionamento cognitivo.Após a avaliação e entrevista clínica, elaboramos protocolos personalizados para treinamento com a técnica de NEUROFEEDBACK.

OBS: Para o diagnóstico de quadros como epilepsia, lesões cerebrais e demências, consulte um neurologista!

20180928_172414

Maiores informações sobre cursos: http://alfaneurofeedback.com.br/eventos-2/

Informações sobre atendimento clínico: julyneurop@gmail.com

Instalando o software e equipamento de neurofeedback

Eu gravei esse vídeo com o objetivo de ajudar as pessoas a instalarem o software de neurofeedback BIOEXPLORER e um equipamento/ hardware para realização do treinamento com neurofeedback. Eu usei o hardware U-wiz como exemplo, mas esses mesmos passos podem ser usados para instalação e configuração de qualquer equipamento da linha Wiz.

Alguns outros equipamentos, mesmo funcionando com Bioexplorer, podem ter configurações um pouco diferente. Não sei dizer se esse passo a passo irá funcionar para outros equipamentos.vocw pode conferir o vídeo aqui nesse link do YouTube:

Curso de Neurofeedback: módulo pratico

Atualmente sou sócia da Alfaneurofeedback e a agenda de cursos de neurofeedback para 2018 já está no ar e pode ser visualizada em:

http://www.alfaneurofeedback.com/proximos-eventos/

O curso prático de neurofeedback visa ensinar o método de avaliação miniQEEG, com base nos parâmetros estabelecidos pelo nosso parceiro Itallis Communication.

Esse curso será realizado com turmas reduzidas entre 4 e 10 participantes (de 2 a 5 duplas) para melhor aproveitamento.

DATA: 27 e 28 de abril de 2018

LOCAL: Tullip In Hotel, rua Apeninos, 1070. CEP 04104-021. Site: http://www.tulipinnsaopaulopaulista.com/pt-br. Ao fazer sua reserva, informe sua participação no curso

Investimento:

– até 25/03/2018: R$1250,00

Faça a sua inscrição no módulo teórico de neurofeedback (03 e 04 de março 2018) e no módulo prático (27 e 28 de abril 2018) e ganhe 5% de desconto no valor dos cursos + 1 hora de supervisão com a Dra. July Silveira Gomes(*promoção válida até 10/03/18 para inscrição da mesma pessoa nos 2 cursos, consulte formas de pagamento pelo email julygomes@alfaneurofeedback.com.br; a supervisão deverá ser usada entre 29/04/2018 a 30/05 de 2018 ou entre 01/07/2018 a 30/11/2018).

– entre 26/03/2018 e 14/04/2018: R$1400,00

– entre 15/04/2018 e 25/04/2018: R$1550,00

INSCRIÇÃO: Para receber o formulário de inscrição, envie um e-mail para julygomes@alfaneurofeedback.com.br

PÚBLICO ALVO: Psicólogos, profissionais da saúde, educação e desenvolvimento humano.

OBJETIVO GERAL: Ensinar o método de avaliação, com base no sistema utilizado pela Itallis Communication.

OBJETIVO ESPECÍFICO: Ao final do curso o aluno deverá ser capaz de:

– Realizar uma entrevista para estruturar sua intervenção com neurofeedback;

– Coletar dados para a formatação do miniQEEG;

– Entender os principais parâmetros da avaliação miniQEEG;

– Entender como gerar um relatório de progresso.

Cada participante finalizará o curso com o seu próprio miniQEEG e terá delineado seu próprio protocolo de treinamento

CONTEÚDO:

Dia 1:

Overview do método Itallis

Entendendo a queixa do meu paciente: entrevista com base no método Itallis

Revisão 1: sistema 10-20 e áreas de broadman em função do método

Revisão 2: sinal EEG e artefatos

Software Bioexplorer

Prática 1: coletando dados com bioexplorer

Prática 2: limpeza dos dados e montando o miniQEEG

Dia 2:

Interpretação da planilha e raciocínio para o protocolo

Elaborando o relatório para o meu paciente

Prática 3: criação do próprio plano de treinamento (autotreino) e seleção dos designs

Prática 4: acompanhando o progresso do meu paciente e elaborando o relatório após 10 sessões (*dados serão fornecidos para essa etapa)

PRÉ-REQUISITO:

Participado do Curso Teórico de Neurofeedback da AlfaNeurofeedback ou similar (*pessoas que participaram de cursos não ministrados pela AlfaNeurofeedback precisam submeter o certificado para validação da participação);

Conhecimento do uso das ferramentas word e excel (não nos responsabilizamos por dificuldades pessoais associadas à utilização dessas ferramentas).

Possuir equipamento próprio para a participação no curso.

MATERIAL: Será fornecido apostila no dia do curso e certificado de participação AlfaNeurofeedback.

BIBLIOGRAFIA INDICADA: não há recomendações específicas.

PROFESSORA: July Silveira Gomes

Doutora em Ciências, pelo departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (2017) e Mestre em Psicologia Cognitiva pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). É formada em Psicologia, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Realiza pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e sua relação com emoções e comportamento. Atende com biofeedback e neurofeedback em consultório particular, e realiza supervisões de profissionais.

Curso de Neurofeedback: módulo teórico 

Atualmente sou sócia da AlfaNeurofeedback e já lançamos os calendários de cursos para 2018. O site para ver todos os cursos que já estão no ar é:

http://alfaneurofeedback.com.br/eventos-2/

O curso teórico de neurofeedback visa oferecer as bases conceituais para a utilização do neurofeedback

Turma de no mínimo 6 e no máximo de 20 pessoas. Garanta a sua vaga!

DATA da próxima turma: 19 e 20 de maio de 2018

LOCAL: Tullip In Hotel, rua Apeninos, 1070. CEP 04104-021. Site: http://www.tulipinnsaopaulopaulista.com/pt-br . Ao fazer sua reserva, informe sua participação no curso. De

CIDADE: São Paulo

INVESTIMENTO:

– até 15/04/2018: R$1000,00

– entre entre 16/04/2018 e 10/05/2018: R$1190,00

– entre 11/05/2018 e 17/05/2018: R$1350,00

INSCRIÇÃO: Para receber o formulário de inscrição, envie um e-mail para julygomes@alfaneurofeedback.com.br

PÚBLICO ALVO: Profissionais formados em nível superior nas áreas da saúde e educação

OBJETIVO GERAL: Oferecer bases teóricas do neurofeedback

OBJETIVO ESPECÍFICO: Ao final do curso o aluno deverá ser capaz de:

– Entender os princípios do neurofeedback;

– Diferenciar entre as modalidades de neurofeedback utilizadas em settings clínicos;

– Entender sobre os principais parâmetros da eletroencefalografia aplicada ao neurofeedback;

– Entender as possibilidades da aplicabilidade da técnica em ambiente terapêutico.

CONTEÚDO:

  • O que é neurofeedback?

Conceito
e Histórico

  • Funcionamento do cérebro

Áreas de Brodmann, networks e circuitos neurais

  • Overview de modalidades baseada na dinâmica sanguínea:

Oxigenação cerebral e sistema neurovascular

Propagação da luz no tecido sanguíneo

Diferenças entre neurofeedback HEG e outras modalidades baseadas na dinâmica sanguínea (nIRS, fMRI)

  • Overview do neurofeedback com base na atividade elétrica cerebral:

Atividade elétrica cerebral: do potencial sináptico às frequências de onda

Sistema internacional de colocação de eletrodos 10-20

Montagens

Artefatos

Alterações no EEG normal

Diferenças entre o neurofeedback de frequência e as outras modalidades baseadas no EEG (potenciais corticais lentos e zscore)

  • Porque integrar o biofeedback cardiovascular ao treinamento com neurofeedback?
  • Associando outras técnicas: TCC, metacognição, treino cognitivo e neurofeedback.

PRÉ-REQUISITO: Não há

MATERIAL: Será fornecido apostila no dia do curso e certificado de participação AlfaNeurofeedback.

BIBLIOGRAFIA INDICADA: será enviada por email.

PROFESSORA:

July Silveira Gomes é doutora em em Ciências, pelo departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (2017) e Mestre em Psicologia Cognitiva pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). É formada em Psicologia, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Realiza pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e sua relação com emoções e comportamento. Atende com biofeedback e neurofeedback em consultório particular, e realiza supervisões de profissionais.

Aplicações Neurofeedback Parte 2: Transtornos Psiquiátricos na Vida Adulta

Diversos são os transtornos que ocorrem na vida adulta que podem ser tratados com neurofeedback. O objetivo desse post é apresentar uma visão geral das intervenções mais consolidadas acerca das aplicações do neurofeedback nos quadros psiquiátricos da vida adulta, com base em resultados de pesquisas científicas (nesse post não irei considerar transtornos neurológicos). Ao final, uma lista de referências (em português e em inglês) com links (algumas vezes é possível ler apenas o abstract) de artigos nos quais eu me baseei para produzir esse post.

Já vimos no post anterior sobre as aplicações na infância que os primeiros estudos acerca da possibilidade de autorregulação biológica voluntaria datam de 1950, por Neal E. Miler e que recentemente o neurofeedback tem se tornado mais acessível, tanto em termos técnicos, quanto teórico e instrumental.

Muitas pesquisas têm apresentado resultados promissores no tratamento dos transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e na depressão.

man-69283_1280

Essa imagem foi retirada de http://pixabay.com/

Os quadros de ansiedade envolvem, de modo geral, um componente cognitivo-emocional projetado para o futuro, trazendo uma sensação de incerteza e angústia. A ansiedade pode se configurar como um transtorno isolado, ou vir acompanhada (ou acompanhar) outros transtornos. Diversos trabalhos têm demonstrado que, independente dessa configuração, a ansiedade responde bem ao tratamento com neurofeedback. Já o TOC, caracterizado pelos pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos, compartilha também sintomas de ansiedade, e tende a ter uma resposta similar, porém o treinamento pode ser mais prolongado.

Nos quadros depressivos e de desregulação do humor, o treinamento tem sido mais promissor com aqueles cujo transtorno é leve à moderado, sendo mais prolongado na depressão grave.

A associação de diferentes modalidades, incluindo biofeedback associado ao neurofeedback, é de grande valia para um tratamento global do transtorno e contribui para a generalização em situações fora do ambiente terapêutico.

 

 

Como funciona?

O princípio de funcionamento do neurofeedback é baseado na capacidade de associação e aprendizagem do nosso cérebro. Utilizando-se sensores capazes de captar respostas biológica cerebrais (variando de acordo com a modalidade) é possível o treinamento de autoregulação, através da retroalimentação biológica. Na prática, a resposta captada é utilizada pelo próprio paciente como informação para que ele aprenda a regular essa resposta, muitas vezes controlando um filme, um game ou produzindo notas musicais (no caso, essas mídias são controladas pelos padrões de ativação registrados).

Depois de um certo número de sessões, o organismo desenvolve a capacidade de manter essa regulação, mesmo fora do ambiente clínico, trazendo melhoras globais no funcionamento e performance do paciente.

É importante ressaltar a importância de uma boa anamnese e avaliação do paciente, de modo que o protocolo seja personalizado de acordo com as necessidades e demandas individuais.

 

Entre em contato para saber como o neurofeedback pode ajudar!

julyneurop@gmail.com

(11) 985718551

Atualizações na minha página do Facebook, clique aqui.

puzzle-cerebro42_1

Artigos:

Londero I, Gomes JS. Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde. Ciência e Cognição. 2014; Vol 19(3) 307-314

Gomes JS, Coghi MF, Coghi PF. Biofeedback cardiovascular e suas aplicações: revisão de literatura. Avances en Psicología Latinoamericana. 2014; 32(2):199-216.

Dias ÁM. Tendências do neurofeedback em psicologia: revisão sistemática. Psicologia em Estudo. 2010: 811-820.

Dias ÁM, Van Deusen AM, Oda E, Bonfim MR. Clinical efficacy of a new automated hemoencefalographic neurofeedback protocol. The Spanish Journal of Psychology. 2012; 15(03):930-941

Hammond DC. What is neurofeedback: An update. Journal of Neurotherapy. 2011; 15 (4): 305-336.

Schoenberg PLA, David AS. Biofeedback for psychiatric disorders: a systematic review. Applied Psychophysiology and Biofeedback. 2014; 39(2):109-135

Relato de Caso: Neurofeedback e Transtorno de Pânico

“Tenho 40 anos de idade e há 15 anos convivo com sintomas e limitações por conta de um transtorno psiquiátrico chamado Síndrome do Pânico.  Com o tratamento farmacológico os sintomas foram controlados, porém comportamentos de esquiva e evitação sempre me acompanharam. Hoje estou no 6 semestre do curso de psicologia e um dia navegando pela internet tive meu primeiro contato com o neurofeedback. Me interessei e passei a estudar sobre a técnica. Como gostei muito da teoria, resolvi experimentá-la em minha própria patologia. Entrei em contato com a psicóloga July Silveira Gomes e marquei, a princípio, 10 sessões. Como senti muita melhora decidimos fazer mais 10.

Durante este período apareceu o grande teste: pintou uma viagem para a Inglaterra e eu me senti preparado a enfrentar o desafio, mesmo com o inglês limitado e sabendo que ficaria sozinho em Londres grande parte do tempo.

Por fim, enfrentei 10 horas de vôo, algo até então impensável para mim. A viagem foi maravilhosa, passei dez dias rodando pela Inglaterra e aqui estou escrevendo este depoimento pois fiquei encantado com os resultados que obtive com o neurofeedback.” (Paciente Anônimo)

Foi muito bacana ter recebido esse depoimento e perceber o quanto esse paciente estava animado em compartilhar os resultados obtidos com o treinamento aqui no blog.

O transtorno de pânico se enquadra na categoria dos transtornos de ansiedade (de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª. edição – DSM-5) e possui características bem específicas. A ocorrência de mais de um episódio de pânico é condição sine qua non (imprescindível) para o diagnóstico. Um “episódio de pânico” se refere a um “surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos…” (DSM-5, 2014) com sintomas como palpitação, sudorese, sensação de asfixia, medo de morrer, dentre outros. Existem 13 sintomas que o médico psiquiatra usa como critério diagnóstico.[i]

Ao me procurar, esse paciente demonstrava comportamentos de preocupação e ansiedade com coisas cotidianas. A pressão no trabalho (ele tem um negócio próprio), na faculdade e o ritmo de vida o deixavam bastante “acelerado” e ansioso. Além disso, a preocupação com a re-ocorrência de uma nova crise de pânico o deixava em alerta o tempo inteiro. Ao iniciar o tratamento, ele tomava uma medicação para o pânico[ii] e, além disso, possuía um ansiolítico[iii] na bolsa para usar caso ocorresse uma crise. Afirmou que esse último funcionava como um “amuleto” do qual não conseguia se desvincular, mesmo fazendo mais de 6 meses que não tinha nenhuma crise.

Na avaliação de sintomas, realizada no primero encontro, ele destacou se preocupar excessivamente com as coisas em geral, ter pressa para completar tarefas, ter dificuldade em organizar prioridades, em lembrar séries de números e em sentar sem mover braços e pernas. Além disso, relatou sentir ansiedade e medo sem motivos aparentes para tal. O paciente já praticava Yoga há 2 anos como modo de gerenciar sua ansiedade.

O treinamento com neurofeedback foi realizado durante 20 sessões, durante os meses de julho e novembro de 2014. O protocolo de treinamento foi focado em reduzir ondas excessivamente lentas e excessivamente rápidas na região fronto-temporal e no aumento de ondas do ritmo beta na região frontal do hemisfério esquerdo e de ondas beta-lento na região sensório-motora do hemisfério direito. Além do treinamento do neurofeedback, associou-se o treinamento domiciliar com o biofeedback cardiovascular, com recomendação de uso diário.

Na 5ª. sessão (3a. semana de tratamento) o paciente relata que parou de andar com o ansiolítico na carteira. Afirmou estar sentindo-se muito bem, que sua confiança aumentara com a prática do biofeedback e que estava se sentindo preparado para lidar com as situações que antes evitava por serem (para ele) desencadeantes de ansiedade, como trânsito, ônibus e metrô.

A diminuição da dependência a recursos externos, assim como o aumento da capacidade de autogerenciamento fisiológico foram de vital importância para o sucesso da intervenção, propiciando a redução dos comportamentos de esquiva e aumento da confiança no enfrentamento das situações ansiogênicas, gerando um esquema de retroalimentação onde a cada conquista o paciente reforçava positivamente sua autoconfiança e, assim, foi se tornando mais resiliente contra possíveis recidivas do transtorno.

O gráfico abaixo exibe a intensidade dos principais sintomas percebidos pelo paciente ao início (linha azul), meio (linha laranja) e ao fim do tratamento.

sintomas

Escala:

5-7: Intenso ou todos os dias da semana;

2-4: Moderado ou de 2-4 vezes por semana;

1: leve ou 1 vez por semana;

0: Raro/ esporádico ou menos que 1x por semana.

Cabe ressaltar que esse paciente não estava enfrentando nenhum episódio de pânico no momento e que o ponto central no tratamento foi re-equilibrar os padrões de ondas que desencadeavam ansiedade e gasto de energia. Com o treinamento com neurofeedback, esse paciente conseguiu atender às demandas com menos gasto de energia, mais focado e, ao mesmo tempo, retornar ao seu padrão de relaxamento (redução da ativação simpática) mais rapidamente após lidar com as demandas cognitivas ou emocionais.

O neurofeedback é uma técnica focada no indivíduo e não necessariamente na patologia. Pessoas com os mesmos sintomas/ diagnósticos podem se beneficiar de treinamentos diferentes e personalizados, de acordo com as alterações no padrão cerebral que desencadeiam as queixas. O tempo de duração do tratamento é variável, dependendo de diversos fatores, dentre os quais: o quão rápido é o processo individual de aprendizagem de alto-regulação; o quanto cada um consegue transpor o estado mental produzido no treino para o dia a dia, mudanças na rotina; etc.

Entre em contato para saber o que o neurofeedback pode fazer por você!

[i] Consulte seu psiquiatra para entender melhor sobre o transtorno e sintomas.

[ii] obs: não citei o nome da medicação e deixei essa descrição bem genérica pois quero evitar que o post sirva de sugestão de medicações para o transtorno. O acompanhamento de um médico psiquiatra é fundamental para o uso de medicações psiquiátricas, como os indicados para ansiedade, síndrome do pânico, depressão e outros transtornos.

[iii] Mesma observação acima.

Ativação do Lobo Frontal e seu Papel na Depressão, Ansiedade e Euforia

Durante todo o tempo em que tenho trabalhado com neurofeedback (desde 2007) e, recentemente, pesquisando e colaborando em ensaios clínicos usando Estimulação Transcraniana de Corrente Contínua (ETCC ou, do inglês TDCS – Transcranial Direct Current Stimulation) tenho ouvido e falado muito sobre “inversões” e “assimetrias” cerebral, assim como suas relações com sintomas de ansiedade, euforia e depressão.

Então resolvi escrever esse post sobre o conceito da assimetria do lobo frontal, com base nos padrões neurofisiológicos, do impacto desses achados na compreensão do comportamento e emoções humanas e como o treinador de neurofeedback usa esse conceito para o treinamento cerebral dos pacientes.

O lobo frontal tem dois hemisférios ou “partes” (direito e esquerdo) e a relação entre eles e a regulação emocional tem sido explorada por diversos autores. Davidson e Irwin, em 1999, descreveram o sistema motivacional do cérebro, sendo inicialmente proposto que o sistema de “aproximação” (approaching*) é responsável por gerar afetos positivos e comportamentos relacionados a aproximação de metas, e o sistema de evitação (withdrawal*) atua facilitando o comportamento de evitar estímulos aversivos e as reações às ameaças, estando ligado à produção de afetos negativos como nojo e medo. A região pré-frontal e a amigdala (parte subcortical, que não é possível de ser visualizada na imagem a seguir) são indicados como os componentes chaves desse circuito.

cerebro e hemisférios

O conceito principal é de que o hemisfério frontal esquerdo é mais ativado que o hemisfério direito e essa diferença de ativação está ligado ao adequado funcionamento das habilidades cerebrais, do ponto de vista cognitivo, emocional e da produção do comportamento (Para entender melhor sobre aspectos não emocionais dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro, acesse o link para o post de uma colega em: https://julyneuro.wordpress.com/2013/07/18/as-assimetrias-cerebrais-parte-ii/. Esse post vai se focar principalmente nos aspectos motivacionais).

Sendo assim, quando há inversão nesse padrão de assimetria, sintomas de depressão e/ ou ansiedade e euforia podem ser observados. Quando o hemisfério esquerdo não está “dominante” (mais ativado), tem-se verificado que a dominância direita está associada à depressão. Do modo contrário, quando o hemisfério direito não está adequadamente balanceado, deixando o hemisfério esquerdo excessivamente dominante, observa-se a manifestação da euforia. Esses padrões de dominância podem ser observados através das predominância e do poder das ondas alfa e beta em regiões contra-laterais do cérebro (direita-esqueda), e estão relacionados ao traço eufórico/ depressivo, mesmo quando o sujeito não está manifestando esses estado. Ou seja, uma pessoa com predominância do hemisfério direito pode apresentar um padrão comportamental de evitação mesmo que ela não esteja deprimida naquele momento. Os níveis de cortisol (hormônio esteroide produzido em resposta a situação de estresse) também estão relacionados com as inversões, mais precisamente com predominância direita.

Mais recentemente alguns autores têm sugerido que as assimetrias frontais estão mais ligadas ao comportamento manifesto (aproximação e evitação) do que à valência (afeto positivo e negativo). Um exemplo é quando alguém, sob o efeito do sentimento negativo de raiva, inicia uma briga (comportamento de aproximação). Esse padrão tem sido relacionado ao excesso de ativação do hemisfério esquerdo (aproximação) e não direito.

Investigações de outras regiões cerebrais envolvidas na regulação da emoção e comportamento usando a técnica de EEG sugerem que a região posterior do cérebro está mais relacionada com a percepção da valência positiva e negativa, sendo que padrões de assimetria também são investigadas nessa região. Em outras palavras, a região parietal do cérebro (ver imagem) está associada a percepção emocional, sendo que a onda alfa parece ser importante tanto para a percepção de emoções positivas quanto negativas, tanto em adultos quanto em crianças.

Qual o papel do neurofeedback em relação as inversões?

O neurofeedback é uma técnica que acessa o padrão de ativação do cérebro através do EEG e permite comparar os padrões de ativação de cada região, analisando-se quais faixas de ondas estão dominantes em determinadas regiões. Diferentes treinos podem ser aplicados para a alteração do padrão invertido e reestabelecimento da assimetria adequada. O treino “típico” de inversões frontal reforça a relação entre as ondas beta e alfa através de estímulos auditivos e visuais. Assim, o cérebro é treinado a mudar a relação entre esses padrões de ondas, deixando o hemisfério esquerdo do lobo frontal levemente mais dominante. Já quando a inversão é observada no lobo parietal, a tendência é o reforço para aumento da produção de alfa no hemisfério direito.

Fontes consultadas:

Harmon-Jones, E., Gable, P. A., & Peterson, C. K. (2010). The role of asymmetric frontal cortical activity in emotion-related phenomena: A review and update.Biological psychology84(3), 451-462.

Davidson, R. J. (2002). Anxiety and affective style: role of prefrontal cortex and amygdala. Biological psychiatry51(1), 68-80.

* tradução livre.