Aplicações Neurofeedback Parte 2: Transtornos Psiquiátricos na Vida Adulta

Diversos são os transtornos que ocorrem na vida adulta que podem ser tratados com neurofeedback. O objetivo desse post é apresentar uma visão geral das intervenções mais consolidadas acerca das aplicações do neurofeedback nos quadros psiquiátricos da vida adulta, com base em resultados de pesquisas científicas (nesse post não irei considerar transtornos neurológicos). Ao final, uma lista de referências (em português e em inglês) com links (algumas vezes é possível ler apenas o abstract) de artigos nos quais eu me baseei para produzir esse post.

Já vimos no post anterior sobre as aplicações na infância que os primeiros estudos acerca da possibilidade de autorregulação biológica voluntaria datam de 1950, por Neal E. Miler e que recentemente o neurofeedback tem se tornado mais acessível, tanto em termos técnicos, quanto teórico e instrumental.

Muitas pesquisas têm apresentado resultados promissores no tratamento dos transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e na depressão.

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Essa imagem foi retirada de http://pixabay.com/

Os quadros de ansiedade envolvem, de modo geral, um componente cognitivo-emocional projetado para o futuro, trazendo uma sensação de incerteza e angústia. A ansiedade pode se configurar como um transtorno isolado, ou vir acompanhada (ou acompanhar) outros transtornos. Diversos trabalhos têm demonstrado que, independente dessa configuração, a ansiedade responde bem ao tratamento com neurofeedback. Já o TOC, caracterizado pelos pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos, compartilha também sintomas de ansiedade, e tende a ter uma resposta similar, porém o treinamento pode ser mais prolongado.

Nos quadros depressivos e de desregulação do humor, o treinamento tem sido mais promissor com aqueles cujo transtorno é leve à moderado, sendo mais prolongado na depressão grave.

A associação de diferentes modalidades, incluindo biofeedback associado ao neurofeedback, é de grande valia para um tratamento global do transtorno e contribui para a generalização em situações fora do ambiente terapêutico.

 

 

Como funciona?

O princípio de funcionamento do neurofeedback é baseado na capacidade de associação e aprendizagem do nosso cérebro. Utilizando-se sensores capazes de captar respostas biológica cerebrais (variando de acordo com a modalidade) é possível o treinamento de autoregulação, através da retroalimentação biológica. Na prática, a resposta captada é utilizada pelo próprio paciente como informação para que ele aprenda a regular essa resposta, muitas vezes controlando um filme, um game ou produzindo notas musicais (no caso, essas mídias são controladas pelos padrões de ativação registrados).

Depois de um certo número de sessões, o organismo desenvolve a capacidade de manter essa regulação, mesmo fora do ambiente clínico, trazendo melhoras globais no funcionamento e performance do paciente.

É importante ressaltar a importância de uma boa anamnese e avaliação do paciente, de modo que o protocolo seja personalizado de acordo com as necessidades e demandas individuais.

 

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Artigos:

Londero I, Gomes JS. Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde. Ciência e Cognição. 2014; Vol 19(3) 307-314

Gomes JS, Coghi MF, Coghi PF. Biofeedback cardiovascular e suas aplicações: revisão de literatura. Avances en Psicología Latinoamericana. 2014; 32(2):199-216.

Dias ÁM. Tendências do neurofeedback em psicologia: revisão sistemática. Psicologia em Estudo. 2010: 811-820.

Dias ÁM, Van Deusen AM, Oda E, Bonfim MR. Clinical efficacy of a new automated hemoencefalographic neurofeedback protocol. The Spanish Journal of Psychology. 2012; 15(03):930-941

Hammond DC. What is neurofeedback: An update. Journal of Neurotherapy. 2011; 15 (4): 305-336.

Schoenberg PLA, David AS. Biofeedback for psychiatric disorders: a systematic review. Applied Psychophysiology and Biofeedback. 2014; 39(2):109-135

Relato de Caso: Neurofeedback e Transtorno de Pânico

“Tenho 40 anos de idade e há 15 anos convivo com sintomas e limitações por conta de um transtorno psiquiátrico chamado Síndrome do Pânico.  Com o tratamento farmacológico os sintomas foram controlados, porém comportamentos de esquiva e evitação sempre me acompanharam. Hoje estou no 6 semestre do curso de psicologia e um dia navegando pela internet tive meu primeiro contato com o neurofeedback. Me interessei e passei a estudar sobre a técnica. Como gostei muito da teoria, resolvi experimentá-la em minha própria patologia. Entrei em contato com a psicóloga July Silveira Gomes e marquei, a princípio, 10 sessões. Como senti muita melhora decidimos fazer mais 10.

Durante este período apareceu o grande teste: pintou uma viagem para a Inglaterra e eu me senti preparado a enfrentar o desafio, mesmo com o inglês limitado e sabendo que ficaria sozinho em Londres grande parte do tempo.

Por fim, enfrentei 10 horas de vôo, algo até então impensável para mim. A viagem foi maravilhosa, passei dez dias rodando pela Inglaterra e aqui estou escrevendo este depoimento pois fiquei encantado com os resultados que obtive com o neurofeedback.” (Paciente Anônimo)

Foi muito bacana ter recebido esse depoimento e perceber o quanto esse paciente estava animado em compartilhar os resultados obtidos com o treinamento aqui no blog.

O transtorno de pânico se enquadra na categoria dos transtornos de ansiedade (de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª. edição – DSM-5) e possui características bem específicas. A ocorrência de mais de um episódio de pânico é condição sine qua non (imprescindível) para o diagnóstico. Um “episódio de pânico” se refere a um “surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos…” (DSM-5, 2014) com sintomas como palpitação, sudorese, sensação de asfixia, medo de morrer, dentre outros. Existem 13 sintomas que o médico psiquiatra usa como critério diagnóstico.[i]

Ao me procurar, esse paciente demonstrava comportamentos de preocupação e ansiedade com coisas cotidianas. A pressão no trabalho (ele tem um negócio próprio), na faculdade e o ritmo de vida o deixavam bastante “acelerado” e ansioso. Além disso, a preocupação com a re-ocorrência de uma nova crise de pânico o deixava em alerta o tempo inteiro. Ao iniciar o tratamento, ele tomava uma medicação para o pânico[ii] e, além disso, possuía um ansiolítico[iii] na bolsa para usar caso ocorresse uma crise. Afirmou que esse último funcionava como um “amuleto” do qual não conseguia se desvincular, mesmo fazendo mais de 6 meses que não tinha nenhuma crise.

Na avaliação de sintomas, realizada no primero encontro, ele destacou se preocupar excessivamente com as coisas em geral, ter pressa para completar tarefas, ter dificuldade em organizar prioridades, em lembrar séries de números e em sentar sem mover braços e pernas. Além disso, relatou sentir ansiedade e medo sem motivos aparentes para tal. O paciente já praticava Yoga há 2 anos como modo de gerenciar sua ansiedade.

O treinamento com neurofeedback foi realizado durante 20 sessões, durante os meses de julho e novembro de 2014. O protocolo de treinamento foi focado em reduzir ondas excessivamente lentas e excessivamente rápidas na região fronto-temporal e no aumento de ondas do ritmo beta na região frontal do hemisfério esquerdo e de ondas beta-lento na região sensório-motora do hemisfério direito. Além do treinamento do neurofeedback, associou-se o treinamento domiciliar com o biofeedback cardiovascular, com recomendação de uso diário.

Na 5ª. sessão (3a. semana de tratamento) o paciente relata que parou de andar com o ansiolítico na carteira. Afirmou estar sentindo-se muito bem, que sua confiança aumentara com a prática do biofeedback e que estava se sentindo preparado para lidar com as situações que antes evitava por serem (para ele) desencadeantes de ansiedade, como trânsito, ônibus e metrô.

A diminuição da dependência a recursos externos, assim como o aumento da capacidade de autogerenciamento fisiológico foram de vital importância para o sucesso da intervenção, propiciando a redução dos comportamentos de esquiva e aumento da confiança no enfrentamento das situações ansiogênicas, gerando um esquema de retroalimentação onde a cada conquista o paciente reforçava positivamente sua autoconfiança e, assim, foi se tornando mais resiliente contra possíveis recidivas do transtorno.

O gráfico abaixo exibe a intensidade dos principais sintomas percebidos pelo paciente ao início (linha azul), meio (linha laranja) e ao fim do tratamento.

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Escala:

5-7: Intenso ou todos os dias da semana;

2-4: Moderado ou de 2-4 vezes por semana;

1: leve ou 1 vez por semana;

0: Raro/ esporádico ou menos que 1x por semana.

Cabe ressaltar que esse paciente não estava enfrentando nenhum episódio de pânico no momento e que o ponto central no tratamento foi re-equilibrar os padrões de ondas que desencadeavam ansiedade e gasto de energia. Com o treinamento com neurofeedback, esse paciente conseguiu atender às demandas com menos gasto de energia, mais focado e, ao mesmo tempo, retornar ao seu padrão de relaxamento (redução da ativação simpática) mais rapidamente após lidar com as demandas cognitivas ou emocionais.

O neurofeedback é uma técnica focada no indivíduo e não necessariamente na patologia. Pessoas com os mesmos sintomas/ diagnósticos podem se beneficiar de treinamentos diferentes e personalizados, de acordo com as alterações no padrão cerebral que desencadeiam as queixas. O tempo de duração do tratamento é variável, dependendo de diversos fatores, dentre os quais: o quão rápido é o processo individual de aprendizagem de alto-regulação; o quanto cada um consegue transpor o estado mental produzido no treino para o dia a dia, mudanças na rotina; etc.

Entre em contato para saber o que o neurofeedback pode fazer por você!

[i] Consulte seu psiquiatra para entender melhor sobre o transtorno e sintomas.

[ii] obs: não citei o nome da medicação e deixei essa descrição bem genérica pois quero evitar que o post sirva de sugestão de medicações para o transtorno. O acompanhamento de um médico psiquiatra é fundamental para o uso de medicações psiquiátricas, como os indicados para ansiedade, síndrome do pânico, depressão e outros transtornos.

[iii] Mesma observação acima.

Ativação do Lobo Frontal e seu Papel na Depressão, Ansiedade e Euforia

Durante todo o tempo em que tenho trabalhado com neurofeedback (desde 2007) e, recentemente, pesquisando e colaborando em ensaios clínicos usando Estimulação Transcraniana de Corrente Contínua (ETCC ou, do inglês TDCS – Transcranial Direct Current Stimulation) tenho ouvido e falado muito sobre “inversões” e “assimetrias” cerebral, assim como suas relações com sintomas de ansiedade, euforia e depressão.

Então resolvi escrever esse post sobre o conceito da assimetria do lobo frontal, com base nos padrões neurofisiológicos, do impacto desses achados na compreensão do comportamento e emoções humanas e como o treinador de neurofeedback usa esse conceito para o treinamento cerebral dos pacientes.

O lobo frontal tem dois hemisférios ou “partes” (direito e esquerdo) e a relação entre eles e a regulação emocional tem sido explorada por diversos autores. Davidson e Irwin, em 1999, descreveram o sistema motivacional do cérebro, sendo inicialmente proposto que o sistema de “aproximação” (approaching*) é responsável por gerar afetos positivos e comportamentos relacionados a aproximação de metas, e o sistema de evitação (withdrawal*) atua facilitando o comportamento de evitar estímulos aversivos e as reações às ameaças, estando ligado à produção de afetos negativos como nojo e medo. A região pré-frontal e a amigdala (parte subcortical, que não é possível de ser visualizada na imagem a seguir) são indicados como os componentes chaves desse circuito.

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O conceito principal é de que o hemisfério frontal esquerdo é mais ativado que o hemisfério direito e essa diferença de ativação está ligado ao adequado funcionamento das habilidades cerebrais, do ponto de vista cognitivo, emocional e da produção do comportamento (Para entender melhor sobre aspectos não emocionais dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro, acesse o link para o post de uma colega em: https://julyneuro.wordpress.com/2013/07/18/as-assimetrias-cerebrais-parte-ii/. Esse post vai se focar principalmente nos aspectos motivacionais).

Sendo assim, quando há inversão nesse padrão de assimetria, sintomas de depressão e/ ou ansiedade e euforia podem ser observados. Quando o hemisfério esquerdo não está “dominante” (mais ativado), tem-se verificado que a dominância direita está associada à depressão. Do modo contrário, quando o hemisfério direito não está adequadamente balanceado, deixando o hemisfério esquerdo excessivamente dominante, observa-se a manifestação da euforia. Esses padrões de dominância podem ser observados através das predominância e do poder das ondas alfa e beta em regiões contra-laterais do cérebro (direita-esqueda), e estão relacionados ao traço eufórico/ depressivo, mesmo quando o sujeito não está manifestando esses estado. Ou seja, uma pessoa com predominância do hemisfério direito pode apresentar um padrão comportamental de evitação mesmo que ela não esteja deprimida naquele momento. Os níveis de cortisol (hormônio esteroide produzido em resposta a situação de estresse) também estão relacionados com as inversões, mais precisamente com predominância direita.

Mais recentemente alguns autores têm sugerido que as assimetrias frontais estão mais ligadas ao comportamento manifesto (aproximação e evitação) do que à valência (afeto positivo e negativo). Um exemplo é quando alguém, sob o efeito do sentimento negativo de raiva, inicia uma briga (comportamento de aproximação). Esse padrão tem sido relacionado ao excesso de ativação do hemisfério esquerdo (aproximação) e não direito.

Investigações de outras regiões cerebrais envolvidas na regulação da emoção e comportamento usando a técnica de EEG sugerem que a região posterior do cérebro está mais relacionada com a percepção da valência positiva e negativa, sendo que padrões de assimetria também são investigadas nessa região. Em outras palavras, a região parietal do cérebro (ver imagem) está associada a percepção emocional, sendo que a onda alfa parece ser importante tanto para a percepção de emoções positivas quanto negativas, tanto em adultos quanto em crianças.

Qual o papel do neurofeedback em relação as inversões?

O neurofeedback é uma técnica que acessa o padrão de ativação do cérebro através do EEG e permite comparar os padrões de ativação de cada região, analisando-se quais faixas de ondas estão dominantes em determinadas regiões. Diferentes treinos podem ser aplicados para a alteração do padrão invertido e reestabelecimento da assimetria adequada. O treino “típico” de inversões frontal reforça a relação entre as ondas beta e alfa através de estímulos auditivos e visuais. Assim, o cérebro é treinado a mudar a relação entre esses padrões de ondas, deixando o hemisfério esquerdo do lobo frontal levemente mais dominante. Já quando a inversão é observada no lobo parietal, a tendência é o reforço para aumento da produção de alfa no hemisfério direito.

Fontes consultadas:

Harmon-Jones, E., Gable, P. A., & Peterson, C. K. (2010). The role of asymmetric frontal cortical activity in emotion-related phenomena: A review and update.Biological psychology84(3), 451-462.

Davidson, R. J. (2002). Anxiety and affective style: role of prefrontal cortex and amygdala. Biological psychiatry51(1), 68-80.

* tradução livre.

Ansiedade e Biofeedback/ Neurofeedback

“E agora, será que escrevo sobre esse assunto? Vou escrever logo, se não alguém escreve primeiro! Mas e o compromisso que eu tinha? E se eu escrever e as pessoas não gostarem? Vão pensar que não sou um bom profissional? Mas eu sou um bom profissional não? Ai, e se eles perceberem que eu não domino bem o assunto? E se? E se…”

Ondas de pensamento incontroláveis e disfuncionais, como esse “diálogo interno” que inventei e escrevi acima, podem vir acompanhados de um desconforto físico que muitas vezes é difícil definir. Uma mistura de pontada no estômago com dores nos ombros, parece que o coração vai sair pela boca e algumas vezes a mãos começam a “derreter” de tão suadas. A euforia inicial se transforma em agonia e preocupação excessiva, e as vezes até uma tristeza e sensação de fracasso, antes mesmo de ter tentado… Só de pensar no assunto, tudo isso acontece… E é difícil parar de pensar…

A cena descrita acima nos remete a alguns dos componentes que acompanham a ansiedade: pensamentos involuntários e incontrolados, aceleração do batimento cardíacos, aumento da sudorese (não apenas nas mãos, mas também nos pés e face/ cabeça), mal estar generalizado, tensão. Além disso, pode-se apresentar a boca seca, tremores e medo excessivo.

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Um quadro de ansiedade é comumente marcado por sintomas físicos, psíquicos (cognitivos e emocionais) e alterações fisiológicas. Esse é um mecanismo que se retroalimenta, em que as alterações fisiológicas desencadeiam reações cognitivos-emocionais (como pensamentos disfuncionais e acelerados e sentimentos de tristeza, desamparo e incerteza) e vice-versa.

As reações fisiológicas da ansiedade estão ligadas ao mecanismo de reação do nosso corpo: o sistema nervoso simpático. Ele é responsável pela resposta de luta ou fuga, e deveria ser mobilizado apenas nos momentos desafiadores, em que uma reação pontual e intensa fosse necessária. O ideal é que no dia a dia houvesse a predominância da ativação do sistema nervoso parassimpático, responsável pelos processos de manutenção corpórea, como digestão e relaxamento. Ou seja, o excesso de reatividade do sistema nervoso autônomo, trazendo o predomínio da ativação simpática, causa um desequilíbrio no ajuste fisiológico, desencadeando reações psíquicas e emocionais. Essas reações autônomas são comandadas pelo nosso cérebro e “padrões disfuncionais” de ativação cerebral estão relacionados com essa desregulação.

É importante lembrar que a resposta de reatividade é necessária e muitas vezes se mostrou fundamental em momentos difíceis, com desafios a serem superados. Porém, o desgaste físico e emocional causado pela manutenção do desequilíbrio é muito alto.

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Imagem: RENNER,Tanya. Psico A. Porto Alegre, McGrawHill, 2012; retirada do blog: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2013/05/sistema-nervoso-autonomo.html

Padrões Cerebrais e Ansiedade

Alguns padrões de EEG (eletroencefalografia) em repouso estão ligados aos problemas emocionais, como os que encontramos em casos de ansiedade.

A inversão na assimetria da região frontal do cérebro tem sido ligada a sintomas de ansiedade e depressão. De modo geral, espera-se que o hemisfério esquerdo do cérebro seja um pouco mais acelerado ou mais ativado que o direito. Estudos tem sugerido que o predomínio de ativação do hemisfério direito (assimetria invertida) do córtex frontal está relacionado a sintomas de depressão e ansiedade.

Estudos com pessoas com estresse pós traumático sugerem que esse transtorno está relacionado com um “poder reduzido” das ondas do tipo alfa na parte posterior do cérebro, assim como com o aumento de “poder” das ondas beta nessa região.  Alfa é um padrão de onda ligado a um estado de “paz mental” e um alto “poder” de alfa já foi verificado em monges budistas. Beta é um padrão de onda ligado a processos cognitivos e beta muito rápido (high beta) também está relacionado com padrões de ansiedade.

Links para artigos sobre o efeito da meditação no cérebro:

http://epileptologie-bonn.de/cms/upload/homepage/axmacher/Felletal_2010_Med_Hypotheses.pdf

http://www.rickhanson.net/wp-content/files/papers/AdvancedMedEffects.pdf

Como o Biofeedback e Neurofeedback podem me ajudar?

Existem dois caminhos para redução dos sintomas de ansiedade através dessas técnicas: um é focar mais no sistema nervoso autônomo, usando técnicas de biofeedback periférico como o biofeedback cardiovascular, de resposta galvânica da pele e de temperatura.

Clique aqui para ver alguns posts sobre o biofeedback:

https://julyneuro.wordpress.com/2010/06/08/terapia-com-biofeedback-uma-tecnica-de-auto-regulacao-para-saude-e-bem-estar/?preview=true&preview_id=53&preview_nonce=a8db4e4384&post_format=standard

https://julyneuro.wordpress.com/2010/09/14/regulando-meu-humor-atraves-da-respiracao/?preview=true&preview_id=160&preview_nonce=93303965bb&post_format=standard

https://julyneuro.wordpress.com/2010/06/18/variabilidade-da-frequencia-cardiaca-e-biofeedback/?preview=true&preview_id=60&preview_nonce=0566af3c67&post_format=standard

Outra é trabalhar com o Neurofeedback, técnica na qual o sinal monitorado é o EEG (ativação cerebral). Através do registro desse sinal e exibição dele na tela do computador, é possível aprender a modular as ondas cerebrais, alterando aos poucos os padrões disfuncionais. O treinamento com neurofeedback requer regularidade e persistência. Algumas pessoas aprendem com mais facilidade, outras demoram um pouco mais.

De modo geral, na minha prática, eu associo as duas técnicas na mesma sessão, com o objetivo de diminuir o padrão de reatividade fisiológica, desencadeado pelo sistema nervoso autônomo, e obter melhores resultados com o neurofeedback.

Em caso de dúvidas, entre em contato: julyneurop@gmail.com

Neurofeedback e Transtorno de Déficit de Atenção

Dificuldades em direcionar e manter a atenção são os problemas centrais para pessoas com o transtorno de déficit de atenção (com ou sem hiperatividade). Esse transtorno inicia-se na infância e, quando não tratado, acompanha o indivíduo por sua vida adulta, tendo impactos significativos em diferentes esferas da vida, desde processos básicos de aprendizagem até a vida pessoal e profissional.

Sua base biológica é aceita e reconhecida pela comunidade científica e inúmeros autores têm demonstrado características nos padrões de ondas cerebrais (EEG ou eletroencefalografia) de pessoas com os transtornos que se correlacionam com as queixas apresentadas. O achado que tem sido mais replicado é o excesso de ondas lentas ou Teta, principalmente na região frontal do cérebro e em torno a fissura central, na área de integração sensório-motora. A partir de diversos estudos, estabeleceu-se que um valor elevado da relação entre o padrão de ondas Teta e ondas Beta (onda rápidas) é considerado um indicador de lentificação cerebral, presente em pessoas com o transtorno de déficit de atenção.

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Em outras palavras, o nosso cérebro tem áreas especializadas que se ativam quando estamos realizando uma tarefa cognitiva. De modo geral, quando uma pessoa presta atenção em uma atividade, certas áreas se ativam e o cérebro “ se acelera”. Para pessoas com déficit de atenção, esse processo natural de “acelerar” não ocorre e algumas vezes, durante as tarefas cognitivas, há um aumento das ondas mais lentas, dificultando ainda mais os processos cognitivos.

Cabe acrescentar que o excesso de ondas lentas, e as dificuldades decorrentes, não se limitam a pessoas com o transtorno. O uso excessivo de medicamentos importantes no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos, também tende a aumentar a quantidade de ondas lentas no cérebro.

Como o neurofeedback pode me ajudar?

O neurofeedback é um treinamento cerebral que visa levar a pessoa que está treinando a modificar as suas ondas, com foco em padrões de ativação que tragam o equilíbrio neurofisiológico. Através de um sensor, as ondas do cérebro são captadas e separadas em faixas de ondas. Após a avaliação e definição de quais padrões serão treinados, estímulos auditivos e visuais servem como elementos reforçadores para que o padrão de onda, já filtrado, seja modificado.

Em 2012 a Academia Americana de Pediatria reconheceu o neurofeedback como uma técnica com eficácia número 1, similar à medicação, para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja mais informações: http://sharpbrains.com/blog/2012/10/05/biofeedback-now-a-level-1-best-support-intervention-for-attention-hyperactivity-behaviors/

A Sociedade Internacional para Neurofeedback e Pesquisa produziu um excelente trabalho de revisão de literatura baseado em evidências sobre a eficácia do neurofeedback para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja na íntegra em: http://www.isnr.org/uploads/nfb-adhd.pdf

1a Conferência Brasileira de Biofeedback, agosto de 2013.

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1a Conferência Brasileira de Biofeedback

Chamada de Trabalhos

A partir de janeiro de 2013 está aberta a inscrição de trabalhos para a 1a Conferência Brasileira de Biofeedback, realizada pela Associação Brasileira de Biofeedback (ABBIO). O prazo para envio de resumos encerra-se em 15 de julho de 2013. As três áreas temáticas a seguir serão o foco deste ano, mas todos os interessados na área estão convidados a enviarem seus trabalhos.

Áreas temáticas:
Saúde: Neurofeedback com Pessoas dentro do Espectro Autista
Educação: Implementação de Biofeedback dentro das Escolas
Excelências: Biofeedback no Treinamento de Atletas de classe Mundial

Serão aceitos para consideração trabalhos em duas categorias:
– relato de experiência profissional;
– pesquisas (as pesquisas com humanos devem ter o termo de consentimento dos participantes ou, ainda, aprovação em comitê de ética);

Os resumos deverão ser enviados via e-mail, para o endereço eletrônico: abbiopublicacoes@gmail.com. Serão avaliados os trabalhos enviados até a data limite de 15 de julho de 2013. Os resultados serão comunicado ao primeiro autor, informando-se também o modelo de apresentação (pôster ou comunicação oral). Cada trabalho precisa ter, ao menos, 01 dos autores inscritos na Conferência.

Instruções para envio de Resumo:

  •  O resumo não deve ultrapassar 350 palavras, excluindo-se título e palavras-chaves. Os trabalhos devem ser enviados em letra ARIAL 10 e espaçamento 1,5. Título centralizado em negrito. Nomes dos autores alinhados a direita. Cada nome deve vir seguido da instituição ou afiliação profissional. Texto justificado.
  •  O resumo precisa conter as seguintes sessões claramente determinada:
  •  Objetivos
  •  Métodos
  •  Resultados
  •  Discussão
  •  Palavras chave (entre 3-5 palavras)

O evento contará com a participação de convidados nacionais e internacionais!

A programação será anunciada em breve em nosso site.

Terapia com Biofeedback: uma técnica de auto-regulação para saúde e bem estar

O treinamento em biofeedback é um poderoso processo terapêutico para gerenciamento de sintomas de desordens orgânicas ou relacionadas ao estresse, que desregulam nosso equilíbrio.

O termo Biofeedback é usado em referência aos processos de auto-regulação através da interface homem máquina, em que respostas fisiológicas são monitoradas e o usuário é capaz de aprender a modulá-las e, desse modo, ocorre a auto-regulação.

De modo geral, um conjunto de sensores capazes de monitorar certas respostas fisiológicas é ligado a um computador, que processa esses dados. A auto-regulação ocorre quando, ao visualizar uma interface na tela do computador, a pessoa aprende a modificá-la, ou seja, aprende a modificar também as suas respostas corporais.

Existem vários tipos de biofeedback, vou exemplificar alguns a seguir:

  • GSR biofeedback: o sensor pode ser posicionado na ponta dos dedos das mãos ou dos pés e capta a resposta galvânica da pele ou a resposta de condutividade da pele. Essa resposta corporal é muito sensível a alterações emocionais. Dependendo do nosso estado emocional, transpiramos mais nas mãos e extremidades do corpo, o que altera essa resposta de condutividade. O treinamento em GSR biofeedback é muito recomendado para transtornos de ansiedade e de estresse.
  • Biofeedback termal: Nessa técnica, o sensor também pode ser acoplado nas pontas dos dedos, e capta variações na temperatura das extremidades, através do fluxo sanguíneo de pequenos vasos capilares da pele. Quando ativamos nossas respostas de defesa, como ocorre em situações de estresse, os vasos se contraem e a temperatura tende a cair. Quando estamos mais relaxados, realizando atividades prazerosas e tranqüilas, os vasos dilatam e a temperatura nas extremidades tende a aumentar. Bastante recomendado para pessoas que precisam aprender a relaxar e também no tratamento de distúrbios vasculares específicos.
  • Neurofeedback: Essa modalidade de biofedback ocorre através do monitoramento das respostas cerebrais. Nosso cérebro apresenta padrões de ondas que podem ser captados através da caixa craniana, por sensores posicionados no couro cabeludo. Apresenta alta taxa de sucesso no tratamento e gerenciamento de sintomas de diversos transtornos, incluindo depressão, transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (DDA, TDA, TDAH), transtornos de ansiedade (como síndrome do pânico e transtorno de estresse pós traumático), dentre outros. Esse tema é tão interessante que em breve dedicarei um post apenas para ele.
  • Biofeedback cardiovascular ou VFC biofeedback: Essa técnica de biofeedback trabalha com respostas captadas a partir do batimento cardíaco. Os sinais do coração podem ser captados através de sensores posicionados nas pontas dos dedos, que monitoram também os vasos sanguíneos capilares, ou através de sensores acoplados ao tórax, captando os batimentos cardíacos. Através do monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) é possível obter indicadores relacionados ao equilíbrio de nossos sistemas de defesa e relaxamento. Desse modo, é possível inferir sobre nossa capacidade de resiliência, adaptação à atividades físicas e cognitivas, assim como nossa capacidade de relaxamento e bem estar. A terapia envolvendo VFC biofeedback é uma forma fácil e não invasiva de gerenciar transtornos e sintomas relacionados a diferentes estados psicológicos como estresse, ansiedade e depressão. No próximo post, apresentarei pesquisas que indicam alterações no padrão de VFC em certas comorbidades, e como o VFC biofeedback pode ser utilizado nessas situações.

O INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) http://www.educacaocerebral.com/lec/) está realizando um trabalho inovador no monitoramento de respostas cardiovasculares, desenvolvendo o software de monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca. Sou pesquisadora convidada do INEC, e juntos realizamos pesquisas voltadas para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas na promoção do bem estar, saúde e educação cerebral.

Nos links abaixo é possível ter mais informações sobre biofeedback:

http://www.educacaocerebral.com/biofeedback/

http://www.educacaocerebral.com/monitorvfc/

http://www.cerebromente.org.br/n04/tecnologia/biofeed.htm

E um vídeo sobre o trabalho realizado por uma psicoterapeuta em bostom. Esse é em inglês, quem sabe num futuro breve produzimos um em portugues?!