Neurofeedback e Terapia Cognitivo Comportamental

Há alguns dias recebi um email encaminhado pelos professores Dr. Emílio Takase e Dr. Marco Callegaro pedindo esclarecimentos sobre o uso neurofeedback enquanto uma técnica da TCC (terapia cognitivo comportamental).
Após finalizar a resposta, resolvi compartilhar com vocês.

Abraços e feliz 2011,

July

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Olá, professores. Sou psicóloga, mestre em psicologia pela Univeridade Federal de Santa Catarina e pesquisadora do laboratório de Educação Cerebral dessa mesma instituição. Utilizo técnicas de neurofeedback e biofeedback, e junto ao laboratório temos desenvolvido investigações acerca da eficácia desses métodos.
No Manual de Técnicas de Terapia e Modificação do Comportamento, do Caballo (org) (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8572882111&sid=001939397121229502426833953), no capítulo 17 – Biofeedback – Miguel A. Simón faz uma excelente explanação acerca do biofeecback enquanto uma técnica baseada no condicionamento operante. O princípio da técnica é que sujeito/ paciente desenvolva a habilidade de controlar voluntariamente suas respostas fisiológicas. De modo similar,  esse controle é exigido em outras técnicas cognitivas como, por exemplo, o relaxamento autógeno e relaxamento progressivo. Essas duas últimas técnicas implicam em alteração fisiológica  muscular para contração. Se você posicionar sensores no(s) músculo(s), o próprio sujeito poderá observar a “quantidade” da contração que ele tem quando está nervoso/ estressado ou em estado de repouso tenso, em comparação com o momento em que ele está relaxado.
A diferença em relação às técnicas de relaxamento e as de biofeedback, é que estas últimas usam sensores para captar essa resposta fisiológica e usam software para mostrar como essas respostas estão funcionando. Através desse estímulo operante na tela do computador, que deve ser mostrado quase em tempo real (com menor delay possível), o indivíduo aprende a seu auto controlar/ modificar, através da alteracão do estímulo na tela.
O biofeedback tem diferentes modalidades. Você pode ler um pouco sobre elas no meu blog http://www.julyneuro.wordpress.com. O neurofeedback é uma modalidade de biofeedback em que a respostas coletada é cortical (ativação do cérebro) através de eletrodos posicionado na caixa craniana.
A APA, em 2005, reconheceu o uso do biofeedback como uma especialização ao qual o profissional da psicologia está apto a usar. No pdf http://www.apa.org/ed/graduate/specialize/annual-report-2005.pdf você pode ver o seguinte trecho:
“Biofeedback: Applied Psychophysiology: On the recommendation of CRSPPP, the Council of Representatives was asked to approve, at its August 2005 meeting, the renewal of recognition of Biofeedback: Applied Psychophysiology as a proficiency in professional psychology. The Council approved the continued recognition of the proficiency for a period of seven years, to be reviewed again in 2012.”

Tanto nos Estados Unidos como na Europa, o biofeedback não é uma técnica de uso restrito ao psicólogo. Seu uso, de modo geral, é regido por associações de biofeedback, como BANAhttp://www.biofeedbackassociation.com/ e BCIAhttp://www.bcia.org/i4a/pages/index.cfm?pageid=1
No Brasil, a ABBIO – Associação Brasileira de Biofeedback, da qual participo como membro, foi fundada final desse ano. O movimento da ABBIO iniciou-se em 2009, sendo que apenas agora conseguimos formalizar sua fundação. No meu blog http://www.julyneuro.wordpress.com você poderá ver as palestras/ mini-cursos do nosso último evento. A ABBIO está trabalhando para criar legislações e regras no Brasil, com base nas instituições internacionais, para a regulamentação, formalização e certificação do biofeedback no Brasil.
Assim como Marco comentou, o biofeedback não é uma técnica exclusiva de psicólogos, mas pode ser usado por eles. Com base no capítulo do Simon, penso que o biofeedack se enquadra como uma das técnicas da TCC, já que é praticamente uma técnica de condicionamento operante com uso de tecnologia. Do meu ponto de vista, ao psicólogo é fundamental o conhecimento dos princípios do condicionamento, da cognição, do comportamentalismo e principalmente, a psicofisiologia.

Att,

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