Ansiedade e Biofeedback/ Neurofeedback

“E agora, será que escrevo sobre esse assunto? Vou escrever logo, se não alguém escreve primeiro! Mas e o compromisso que eu tinha? E se eu escrever e as pessoas não gostarem? Vão pensar que não sou um bom profissional? Mas eu sou um bom profissional não? Ai, e se eles perceberem que eu não domino bem o assunto? E se? E se…”

Ondas de pensamento incontroláveis e disfuncionais, como esse “diálogo interno” que inventei e escrevi acima, podem vir acompanhados de um desconforto físico que muitas vezes é difícil definir. Uma mistura de pontada no estômago com dores nos ombros, parece que o coração vai sair pela boca e algumas vezes a mãos começam a “derreter” de tão suadas. A euforia inicial se transforma em agonia e preocupação excessiva, e as vezes até uma tristeza e sensação de fracasso, antes mesmo de ter tentado… Só de pensar no assunto, tudo isso acontece… E é difícil parar de pensar…

A cena descrita acima nos remete a alguns dos componentes que acompanham a ansiedade: pensamentos involuntários e incontrolados, aceleração do batimento cardíacos, aumento da sudorese (não apenas nas mãos, mas também nos pés e face/ cabeça), mal estar generalizado, tensão. Além disso, pode-se apresentar a boca seca, tremores e medo excessivo.

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Um quadro de ansiedade é comumente marcado por sintomas físicos, psíquicos (cognitivos e emocionais) e alterações fisiológicas. Esse é um mecanismo que se retroalimenta, em que as alterações fisiológicas desencadeiam reações cognitivos-emocionais (como pensamentos disfuncionais e acelerados e sentimentos de tristeza, desamparo e incerteza) e vice-versa.

As reações fisiológicas da ansiedade estão ligadas ao mecanismo de reação do nosso corpo: o sistema nervoso simpático. Ele é responsável pela resposta de luta ou fuga, e deveria ser mobilizado apenas nos momentos desafiadores, em que uma reação pontual e intensa fosse necessária. O ideal é que no dia a dia houvesse a predominância da ativação do sistema nervoso parassimpático, responsável pelos processos de manutenção corpórea, como digestão e relaxamento. Ou seja, o excesso de reatividade do sistema nervoso autônomo, trazendo o predomínio da ativação simpática, causa um desequilíbrio no ajuste fisiológico, desencadeando reações psíquicas e emocionais. Essas reações autônomas são comandadas pelo nosso cérebro e “padrões disfuncionais” de ativação cerebral estão relacionados com essa desregulação.

É importante lembrar que a resposta de reatividade é necessária e muitas vezes se mostrou fundamental em momentos difíceis, com desafios a serem superados. Porém, o desgaste físico e emocional causado pela manutenção do desequilíbrio é muito alto.

Sitema Nervoso Autonomo

Imagem: RENNER,Tanya. Psico A. Porto Alegre, McGrawHill, 2012; retirada do blog: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2013/05/sistema-nervoso-autonomo.html

Padrões Cerebrais e Ansiedade

Alguns padrões de EEG (eletroencefalografia) em repouso estão ligados aos problemas emocionais, como os que encontramos em casos de ansiedade.

A inversão na assimetria da região frontal do cérebro tem sido ligada a sintomas de ansiedade e depressão. De modo geral, espera-se que o hemisfério esquerdo do cérebro seja um pouco mais acelerado ou mais ativado que o direito. Estudos tem sugerido que o predomínio de ativação do hemisfério direito (assimetria invertida) do córtex frontal está relacionado a sintomas de depressão e ansiedade.

Estudos com pessoas com estresse pós traumático sugerem que esse transtorno está relacionado com um “poder reduzido” das ondas do tipo alfa na parte posterior do cérebro, assim como com o aumento de “poder” das ondas beta nessa região.  Alfa é um padrão de onda ligado a um estado de “paz mental” e um alto “poder” de alfa já foi verificado em monges budistas. Beta é um padrão de onda ligado a processos cognitivos e beta muito rápido (high beta) também está relacionado com padrões de ansiedade.

Links para artigos sobre o efeito da meditação no cérebro:

http://epileptologie-bonn.de/cms/upload/homepage/axmacher/Felletal_2010_Med_Hypotheses.pdf

http://www.rickhanson.net/wp-content/files/papers/AdvancedMedEffects.pdf

Como o Biofeedback e Neurofeedback podem me ajudar?

Existem dois caminhos para redução dos sintomas de ansiedade através dessas técnicas: um é focar mais no sistema nervoso autônomo, usando técnicas de biofeedback periférico como o biofeedback cardiovascular, de resposta galvânica da pele e de temperatura.

Clique aqui para ver alguns posts sobre o biofeedback:

https://julyneuro.wordpress.com/2010/06/08/terapia-com-biofeedback-uma-tecnica-de-auto-regulacao-para-saude-e-bem-estar/?preview=true&preview_id=53&preview_nonce=a8db4e4384&post_format=standard

https://julyneuro.wordpress.com/2010/09/14/regulando-meu-humor-atraves-da-respiracao/?preview=true&preview_id=160&preview_nonce=93303965bb&post_format=standard

https://julyneuro.wordpress.com/2010/06/18/variabilidade-da-frequencia-cardiaca-e-biofeedback/?preview=true&preview_id=60&preview_nonce=0566af3c67&post_format=standard

Outra é trabalhar com o Neurofeedback, técnica na qual o sinal monitorado é o EEG (ativação cerebral). Através do registro desse sinal e exibição dele na tela do computador, é possível aprender a modular as ondas cerebrais, alterando aos poucos os padrões disfuncionais. O treinamento com neurofeedback requer regularidade e persistência. Algumas pessoas aprendem com mais facilidade, outras demoram um pouco mais.

De modo geral, na minha prática, eu associo as duas técnicas na mesma sessão, com o objetivo de diminuir o padrão de reatividade fisiológica, desencadeado pelo sistema nervoso autônomo, e obter melhores resultados com o neurofeedback.

Em caso de dúvidas, entre em contato: julyneurop@gmail.com

Neurofeedback e Transtorno de Déficit de Atenção

Dificuldades em direcionar e manter a atenção são os problemas centrais para pessoas com o transtorno de déficit de atenção (com ou sem hiperatividade). Esse transtorno inicia-se na infância e, quando não tratado, acompanha o indivíduo por sua vida adulta, tendo impactos significativos em diferentes esferas da vida, desde processos básicos de aprendizagem até a vida pessoal e profissional.

Sua base biológica é aceita e reconhecida pela comunidade científica e inúmeros autores têm demonstrado características nos padrões de ondas cerebrais (EEG ou eletroencefalografia) de pessoas com os transtornos que se correlacionam com as queixas apresentadas. O achado que tem sido mais replicado é o excesso de ondas lentas ou Teta, principalmente na região frontal do cérebro e em torno a fissura central, na área de integração sensório-motora. A partir de diversos estudos, estabeleceu-se que um valor elevado da relação entre o padrão de ondas Teta e ondas Beta (onda rápidas) é considerado um indicador de lentificação cerebral, presente em pessoas com o transtorno de déficit de atenção.

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Em outras palavras, o nosso cérebro tem áreas especializadas que se ativam quando estamos realizando uma tarefa cognitiva. De modo geral, quando uma pessoa presta atenção em uma atividade, certas áreas se ativam e o cérebro “ se acelera”. Para pessoas com déficit de atenção, esse processo natural de “acelerar” não ocorre e algumas vezes, durante as tarefas cognitivas, há um aumento das ondas mais lentas, dificultando ainda mais os processos cognitivos.

Cabe acrescentar que o excesso de ondas lentas, e as dificuldades decorrentes, não se limitam a pessoas com o transtorno. O uso excessivo de medicamentos importantes no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos, também tende a aumentar a quantidade de ondas lentas no cérebro.

Como o neurofeedback pode me ajudar?

O neurofeedback é um treinamento cerebral que visa levar a pessoa que está treinando a modificar as suas ondas, com foco em padrões de ativação que tragam o equilíbrio neurofisiológico. Através de um sensor, as ondas do cérebro são captadas e separadas em faixas de ondas. Após a avaliação e definição de quais padrões serão treinados, estímulos auditivos e visuais servem como elementos reforçadores para que o padrão de onda, já filtrado, seja modificado.

Em 2012 a Academia Americana de Pediatria reconheceu o neurofeedback como uma técnica com eficácia número 1, similar à medicação, para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja mais informações: http://sharpbrains.com/blog/2012/10/05/biofeedback-now-a-level-1-best-support-intervention-for-attention-hyperactivity-behaviors/

A Sociedade Internacional para Neurofeedback e Pesquisa produziu um excelente trabalho de revisão de literatura baseado em evidências sobre a eficácia do neurofeedback para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja na íntegra em: http://www.isnr.org/uploads/nfb-adhd.pdf

1a Conferência Brasileira de Biofeedback, agosto de 2013.

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1a Conferência Brasileira de Biofeedback

Chamada de Trabalhos

A partir de janeiro de 2013 está aberta a inscrição de trabalhos para a 1a Conferência Brasileira de Biofeedback, realizada pela Associação Brasileira de Biofeedback (ABBIO). O prazo para envio de resumos encerra-se em 15 de julho de 2013. As três áreas temáticas a seguir serão o foco deste ano, mas todos os interessados na área estão convidados a enviarem seus trabalhos.

Áreas temáticas:
Saúde: Neurofeedback com Pessoas dentro do Espectro Autista
Educação: Implementação de Biofeedback dentro das Escolas
Excelências: Biofeedback no Treinamento de Atletas de classe Mundial

Serão aceitos para consideração trabalhos em duas categorias:
– relato de experiência profissional;
– pesquisas (as pesquisas com humanos devem ter o termo de consentimento dos participantes ou, ainda, aprovação em comitê de ética);

Os resumos deverão ser enviados via e-mail, para o endereço eletrônico: abbiopublicacoes@gmail.com. Serão avaliados os trabalhos enviados até a data limite de 15 de julho de 2013. Os resultados serão comunicado ao primeiro autor, informando-se também o modelo de apresentação (pôster ou comunicação oral). Cada trabalho precisa ter, ao menos, 01 dos autores inscritos na Conferência.

Instruções para envio de Resumo:

  •  O resumo não deve ultrapassar 350 palavras, excluindo-se título e palavras-chaves. Os trabalhos devem ser enviados em letra ARIAL 10 e espaçamento 1,5. Título centralizado em negrito. Nomes dos autores alinhados a direita. Cada nome deve vir seguido da instituição ou afiliação profissional. Texto justificado.
  •  O resumo precisa conter as seguintes sessões claramente determinada:
  •  Objetivos
  •  Métodos
  •  Resultados
  •  Discussão
  •  Palavras chave (entre 3-5 palavras)

O evento contará com a participação de convidados nacionais e internacionais!

A programação será anunciada em breve em nosso site.

Terapia com Biofeedback: uma técnica de auto-regulação para saúde e bem estar

O treinamento em biofeedback é um poderoso processo terapêutico para gerenciamento de sintomas de desordens orgânicas ou relacionadas ao estresse, que desregulam nosso equilíbrio.

O termo Biofeedback é usado em referência aos processos de auto-regulação através da interface homem máquina, em que respostas fisiológicas são monitoradas e o usuário é capaz de aprender a modulá-las e, desse modo, ocorre a auto-regulação.

De modo geral, um conjunto de sensores capazes de monitorar certas respostas fisiológicas é ligado a um computador, que processa esses dados. A auto-regulação ocorre quando, ao visualizar uma interface na tela do computador, a pessoa aprende a modificá-la, ou seja, aprende a modificar também as suas respostas corporais.

Existem vários tipos de biofeedback, vou exemplificar alguns a seguir:

  • GSR biofeedback: o sensor pode ser posicionado na ponta dos dedos das mãos ou dos pés e capta a resposta galvânica da pele ou a resposta de condutividade da pele. Essa resposta corporal é muito sensível a alterações emocionais. Dependendo do nosso estado emocional, transpiramos mais nas mãos e extremidades do corpo, o que altera essa resposta de condutividade. O treinamento em GSR biofeedback é muito recomendado para transtornos de ansiedade e de estresse.
  • Biofeedback termal: Nessa técnica, o sensor também pode ser acoplado nas pontas dos dedos, e capta variações na temperatura das extremidades, através do fluxo sanguíneo de pequenos vasos capilares da pele. Quando ativamos nossas respostas de defesa, como ocorre em situações de estresse, os vasos se contraem e a temperatura tende a cair. Quando estamos mais relaxados, realizando atividades prazerosas e tranqüilas, os vasos dilatam e a temperatura nas extremidades tende a aumentar. Bastante recomendado para pessoas que precisam aprender a relaxar e também no tratamento de distúrbios vasculares específicos.
  • Neurofeedback: Essa modalidade de biofedback ocorre através do monitoramento das respostas cerebrais. Nosso cérebro apresenta padrões de ondas que podem ser captados através da caixa craniana, por sensores posicionados no couro cabeludo. Apresenta alta taxa de sucesso no tratamento e gerenciamento de sintomas de diversos transtornos, incluindo depressão, transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (DDA, TDA, TDAH), transtornos de ansiedade (como síndrome do pânico e transtorno de estresse pós traumático), dentre outros. Esse tema é tão interessante que em breve dedicarei um post apenas para ele.
  • Biofeedback cardiovascular ou VFC biofeedback: Essa técnica de biofeedback trabalha com respostas captadas a partir do batimento cardíaco. Os sinais do coração podem ser captados através de sensores posicionados nas pontas dos dedos, que monitoram também os vasos sanguíneos capilares, ou através de sensores acoplados ao tórax, captando os batimentos cardíacos. Através do monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) é possível obter indicadores relacionados ao equilíbrio de nossos sistemas de defesa e relaxamento. Desse modo, é possível inferir sobre nossa capacidade de resiliência, adaptação à atividades físicas e cognitivas, assim como nossa capacidade de relaxamento e bem estar. A terapia envolvendo VFC biofeedback é uma forma fácil e não invasiva de gerenciar transtornos e sintomas relacionados a diferentes estados psicológicos como estresse, ansiedade e depressão. No próximo post, apresentarei pesquisas que indicam alterações no padrão de VFC em certas comorbidades, e como o VFC biofeedback pode ser utilizado nessas situações.

O INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) http://www.educacaocerebral.com/lec/) está realizando um trabalho inovador no monitoramento de respostas cardiovasculares, desenvolvendo o software de monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca. Sou pesquisadora convidada do INEC, e juntos realizamos pesquisas voltadas para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas na promoção do bem estar, saúde e educação cerebral.

Nos links abaixo é possível ter mais informações sobre biofeedback:

http://www.educacaocerebral.com/biofeedback/

http://www.educacaocerebral.com/monitorvfc/

http://www.cerebromente.org.br/n04/tecnologia/biofeed.htm

E um vídeo sobre o trabalho realizado por uma psicoterapeuta em bostom. Esse é em inglês, quem sabe num futuro breve produzimos um em portugues?!