Biofeedback na Prática Clínica – Agosto de 2014

Você sabia que o biofeedback é uma ferramenta eficaz para auxiliar no tratamento de diversos transtornos psicológicos e somáticos?

Aprenda um pouco mais sobre a técnica no próximo curso “Biofeedback na Prática Clínica”, que acontecerá em Jundiaí – SP no dia 30/08/2014

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Regulando meu humor através da respiração

Preparei esse breve texto para entregar aos clientes que atendo, como forma de ajudar no processo de treinamento em biofeedback cardiovascular. Espero que seja interessante para vocês também!

Como o meu coração e minha respiração podem me ajudar a regular meu humor?

Os sistemas autonômicos simpático e parassimpático são os responsáveis por regular nossas funções vitais. No dia a dia, em decorrência de diferentes atividades e do ciclo circadiano, nosso organismo regula-se para se adaptar às diferentes situações. Essa regulação se chama homesostase corpórea.

A freqüência cardíaca varia naturalmente de acordo com a respiração (RSA – arritmia sinusal respiratória), com nossas atividades e estados de ativação. No dia a dia, em situações de repouso, há predomínio da ação parassimpática sobre o coração. Sempre que necessário, a ativação simpática desencadeia respostas fisiológicas de reação, que provocam aceleração do batimento cardíaco e aumento da freqüência cardíaca. Essa ação vem ao encontro do princípio de luta ou fuga, mobilizado pelo sistema simpático, sempre que precisamos reagir. A ativação simpática também influencia o sistema endócrino, que afeta o sistema cardiovascular. Permanecer no estado de ativação simpática, sobrecarrega nosso organismo.

Em relação aos transtornos de ansiedade, Kawachi e colegas (1995) investigaram os sintomas de ansiedade em 581 homens saudáveis, através da análise do poder espectral da variabilidade da freqüência cardíaca. Os homens que relatavam mais sintomas de ansiedade fóbica apresentaram, em repouso, frequencia cardíaca mais alta e menor variabilidade da freqüência cardíaca. Conclui-se que a ansiedade está associada a hiperatividade simpática. Em uma pesquisa realizada por Virtanen e colegas (2003), com 71 homens e 79 mulheres de meia-idade, constatou-se que a ansiedade e a hostilidade estão relacionadas à redução da atividade parassimpática e aumento do predomínio simpático.

Treinamento com biofeedback cardiovascular: o principal objetivo é aumentar a variabilidade da freqüência cardíaca, ou seja, a capacidade de modulação cardiovascular em reação a diferentes situações. De modo geral, o aumento da variabilidade da frequencia cardíaca reduz a ativação simpática, causada por estresse e ansiedade excessivas, e aumenta a ativação parassimpática. Além de monitorarem-se as variáveis da freqüência cardíaca, é possível associar a essa técnica de biofeedback o monitoramento da respiração, usando a arritmia sinusal respiratória (RSA) como uma forma de potencializar o efeito do biofeedback cardiovascular. A RSA é uma variação que ocorre no ritmo do coração em função da respiração, aumentando a freqüência cardíaca na inspiração e reduzindo-a na expiração. Ou seja, quando expiramos, diminuímos a freqüência cardíaca e aumentamos a influencia parassimpática no organismo.

O que fazer e como fazer: o alvo do RSA biofeedback é focar a atenção na expiração, buscando um estado de relaxamento. O pulmão é um órgão oco, em que o ar entra e sai, em função da compressão e expansão diafragmática. Desse modo, o diafragma se expande, proporcionando a entrada de ar nos pulmões, e se contrai, impulsionando o ar para fora. Conforme o ar entra no organismo, há um leve movimento de expansão, que pode ser sentido quando apoiamos nossa mão em cima da barriga. Quando o ar sai, sentimos um leve movimento no sentido contrário (barriga para dentro). Quando estamos relaxados, esse movimento é leve e fluido; quando estamos agitados, a respiração fica curta e o movimento com menor amplitude.

O processo consiste em tentar expirar (colocar o ar para fora) durante o dobro de tempo da inspiração. A taxa 6:3 (expirar contanto até 6 e inspirar contando até 3)  parece ser uma faixa agradável para a maioria das pessoas. Mas o ideal é que cada um consiga perceber qual a sua própria faixa.

Treine 1x por dia; no início, faça quanto tempo conseguir, e tente prolongar o período de treino por até 20 minutos. Lembrando que no início pode ser meio desconfortável, e que a tendência é “inflar” ao máximo, quando inspiramos. Mas não force muito. Tente fazer ao contrário… Tente esvaziar bastante, e depois apenas deixe o ar entrar o quanto for necessário.

Cuidado para não hiperventilar, e não forçar demais.

Som ambiente sempre ajuda.

Bom treino.

Educação Cerebral

Hoje pela manhã fui entrevistada no Bom Dia Santa Catarina, jornal local do estado, sobre Educação Cerebral. Veja a entrevista no site:

Confesso que o tempo foi curto para expor as idéias sobre Educação Cerebral. Hoje, não existe um consenso sobre o que é educação cerebral, qual a diferença entre educação cerebral e “neuróbica” (ginástica cerebral).

Em parceria com o INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) temos desenvolvido propostas e metodologias de intervenção que foquem a integração entre os aspectos fisiológicos, as características cognitivas e os estados psico-emocionais das pessoas.

O INEC tem realizado trabalho com atletas pertencentes à CBT (Confederação Brasileira de Tênis), além das pesquisas de graduação e pós-graduação. No próximo semestre está previsto um espaço para Educação Cerebral com base no biofeedback VFC (veja o post anterior sobre o tema para entender melhor).

A Sina-Psi, empresa parceira do INEC e da qual sou sócia, tem desenvolvido ferramentas para monitoramento e treinamento cognitivo. Atualmente, já está disponível o software de monitoramento cognitivo ProA, para uso profissional.

Através desse sistema, é possível avaliar o desempenho cognitivo de maneira segura, divertida e cientificamente validade, ajudando os profissionais a compreenderem melhor quais habilidades cognitivas são mais ou menos desenvolvidas. Assim, é possível preparar estratégias de educação cerebral mais adequadas para cada pessoa.

ProA também está sendo utilizado para monitoramento cognitivo de atletas do Juventude Esporte Clube , para identificação de treinamento excessivo e fadiga.

Já no Colégio Salesiano (Itajaí) ProA está sendo usado para monitorar o desempenho cognitivo de alunos a partir da 4ª. série até o 2º. Ano do ensino médio. Os resultados serão correlacionados com o desempenho escolar e, assim, os professores poderão desenvolver estratégias mais adequadas com o perfil de cada aluno.

Na clínica, tenho procurado aplicar esses conhecimentos, usando os sistemas e metodologias inovadoras desenvolvidos pela Sina-Psi e INEC.

A Educação Cerebral é uma proposta diferenciada de olhar os processos de aprendizagem e organismo humano e a forma de educar. Cada pessoa possui um organismo completo: cérebro, corpo e mente. Olhando de uma forma integrada, percebemos que tanto o corpo quanto a mente reagem a partir dos estímulos enviados pelo nosso cérebro e esse reage a partir dos estímulos do meio externo (ambiente) e interno (cognição).

Ao fazer “caça palavras” todos os dias, é bem provável que a pessoa ficar fera em caça palavras, talvez até amplie o seu vocabulário, se procurar descobrir as palavras que não sabe e explorar novos significados.

Mas educar o cérebro envolve muito mais que isso. Além de fazer exercícios cognitivos, de procurar aprender coisas novas, de realizar atividades que mantenham o cérebro ativo, é importante se ter hábitos saudáveis que contribuam para o bom funcionamento do organismo como um todo.

Segue então algumas dicas gerais para bom funcionamento cerebral:

  • Aumente o equilíbrio entre os sistemas autonômicos (veja mais no post “Equilíbrio Corpo e Mente” e “Variabilidade da Frequencia Cardíaca e Biofeedback);
  • Combata o sedentarismo: ninguém precisa ser atleta, mas é fundamental “se mexer”. Caminhe sempre que possível, use escadas, coloque o corpo para funcionar;
  • Tenha um sono restaurador: o sono é importante para a consolidação de memórias e para o bom funcionamento cerebral ao longo do dia. Os processos cognitivos são seriamente afetados pela privação do sono.
  • A alimentação também é importante: peixes e frutos do mar, especialmente o salmão, carnes, lacticínios, feijão, frutas – abacate (vitamina E), laranja (vitamina C) – e folhas verdes são excelentes nutrientes para o cérebro.
  • Auto-conhecimento: observe seu ritmo de falar, de respirar, seus batimentos cardíacos em situações tranqüilas e em situações de estresse. Quanto mais você perceber como você funciona, melhor será sua relação com seu organismo;

Abaixo tem 2 links de laboratórios sérios que também tem desenvolvido pesquisas na área e apresentam jogos cognitivos para entretenimento:

http://cognitivelabs.com/

http://www.fitbrains.com/

Terapia com Biofeedback: uma técnica de auto-regulação para saúde e bem estar

O treinamento em biofeedback é um poderoso processo terapêutico para gerenciamento de sintomas de desordens orgânicas ou relacionadas ao estresse, que desregulam nosso equilíbrio.

O termo Biofeedback é usado em referência aos processos de auto-regulação através da interface homem máquina, em que respostas fisiológicas são monitoradas e o usuário é capaz de aprender a modulá-las e, desse modo, ocorre a auto-regulação.

De modo geral, um conjunto de sensores capazes de monitorar certas respostas fisiológicas é ligado a um computador, que processa esses dados. A auto-regulação ocorre quando, ao visualizar uma interface na tela do computador, a pessoa aprende a modificá-la, ou seja, aprende a modificar também as suas respostas corporais.

Existem vários tipos de biofeedback, vou exemplificar alguns a seguir:

  • GSR biofeedback: o sensor pode ser posicionado na ponta dos dedos das mãos ou dos pés e capta a resposta galvânica da pele ou a resposta de condutividade da pele. Essa resposta corporal é muito sensível a alterações emocionais. Dependendo do nosso estado emocional, transpiramos mais nas mãos e extremidades do corpo, o que altera essa resposta de condutividade. O treinamento em GSR biofeedback é muito recomendado para transtornos de ansiedade e de estresse.
  • Biofeedback termal: Nessa técnica, o sensor também pode ser acoplado nas pontas dos dedos, e capta variações na temperatura das extremidades, através do fluxo sanguíneo de pequenos vasos capilares da pele. Quando ativamos nossas respostas de defesa, como ocorre em situações de estresse, os vasos se contraem e a temperatura tende a cair. Quando estamos mais relaxados, realizando atividades prazerosas e tranqüilas, os vasos dilatam e a temperatura nas extremidades tende a aumentar. Bastante recomendado para pessoas que precisam aprender a relaxar e também no tratamento de distúrbios vasculares específicos.
  • Neurofeedback: Essa modalidade de biofedback ocorre através do monitoramento das respostas cerebrais. Nosso cérebro apresenta padrões de ondas que podem ser captados através da caixa craniana, por sensores posicionados no couro cabeludo. Apresenta alta taxa de sucesso no tratamento e gerenciamento de sintomas de diversos transtornos, incluindo depressão, transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (DDA, TDA, TDAH), transtornos de ansiedade (como síndrome do pânico e transtorno de estresse pós traumático), dentre outros. Esse tema é tão interessante que em breve dedicarei um post apenas para ele.
  • Biofeedback cardiovascular ou VFC biofeedback: Essa técnica de biofeedback trabalha com respostas captadas a partir do batimento cardíaco. Os sinais do coração podem ser captados através de sensores posicionados nas pontas dos dedos, que monitoram também os vasos sanguíneos capilares, ou através de sensores acoplados ao tórax, captando os batimentos cardíacos. Através do monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) é possível obter indicadores relacionados ao equilíbrio de nossos sistemas de defesa e relaxamento. Desse modo, é possível inferir sobre nossa capacidade de resiliência, adaptação à atividades físicas e cognitivas, assim como nossa capacidade de relaxamento e bem estar. A terapia envolvendo VFC biofeedback é uma forma fácil e não invasiva de gerenciar transtornos e sintomas relacionados a diferentes estados psicológicos como estresse, ansiedade e depressão. No próximo post, apresentarei pesquisas que indicam alterações no padrão de VFC em certas comorbidades, e como o VFC biofeedback pode ser utilizado nessas situações.

O INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) http://www.educacaocerebral.com/lec/) está realizando um trabalho inovador no monitoramento de respostas cardiovasculares, desenvolvendo o software de monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca. Sou pesquisadora convidada do INEC, e juntos realizamos pesquisas voltadas para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas na promoção do bem estar, saúde e educação cerebral.

Nos links abaixo é possível ter mais informações sobre biofeedback:

http://www.educacaocerebral.com/biofeedback/

http://www.educacaocerebral.com/monitorvfc/

http://www.cerebromente.org.br/n04/tecnologia/biofeed.htm

E um vídeo sobre o trabalho realizado por uma psicoterapeuta em bostom. Esse é em inglês, quem sabe num futuro breve produzimos um em portugues?!