ProA – mudança de website

Prezados colegas,  clientes e colaboradores

Informamos que, em função de re-estruturação da empresa Sina-Psi, o software ProA – Bateria de Avaliação Computadorizada passará a ser gerenciado pelo Laboratório de Educação Cerebral da Universidade Federal de Santa Catarina (LEC-UFSC) e ficará hospedada no seguinte endereço: http://www.proa.educacaocerebral.org/

O LEC-UFSC, representado pelo prof. Dr. Emílio Takase, participou de todo o desenvolvimento e formação da base de dados do ProA e continuará os esforços para melhorias da bateria e para os avanços nas pesquisa que utilizam ProA.

Eu e toda a equipe Sina-Psi continuaremos participando do desenvolvimento do produto, porém a razão social Sina-Psi não estará mais atuante.

É com a sensação de dever cumprido que damos mais esse passo, que representa uma mudança e ao mesmo tempo um avanço em busca de aperfeiçoamento de toda a equipe.

A equipe Sina-Psi agradece a participação e confiança de todos os colegas, colaboradores e clientes.

Eu, July silveira Gomes, fico à disposição no email julyneurop@gmail.com para maiores esclarecimentos.

Caso queiram contactar o professor Emílio Takase paratratar de assuntos relacionados à bateria ProA, enviar email para takase@educacaocerebral.com.

     proa_logo2_branco

Aproveito também a oportunidade para divulgar nosso artigo mais recente sobre validade preditiva do ProA para baixo sucesso escolar em matemática:

Using online cognitive tasks to predict mathematics low school achievement

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0360131513000948

 

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A bateria de avaliação cognitiva ProA faz 2 anos e quem ganha é você!

A bateria de avaliação cognitiva ProA faz 2 anos e quem ganha é você!

Para comemorar 2 anos de ProA, a Sina-Psi lança a promoção:
Todas as licenças adquiridas entre 01 de maio e 30 de junho terão validade até 30 de setembro de 2012.
Veja os preços promocionais em nosso site!

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PROA: SOFTWARE COM VALIDADE PREDITIVA DE ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA.

O resumo a seguir recebeu Menção Honrosa no congresso COMPUTER ON THE BEACH, realizado entre 29 de abril de 2011 e 01 de maio. Nesse post apresento o resumo premiado. Vocês podem obter mais informções sobre o software no sitewww.sina-psi.com/proa.

Parabéns ao prof. Dr. Emílio Takase, do Laboratório de Educação Cerebral (LEC) do Departamento de Psicologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis – SC, e à equipe Sina-Psi, composta po mim (July Silveira Gomes), Daniel Priori e Caroline Di Bernardi Luft por todo o esforço desenvolvido com foco na Educação Cerebral!

Você pode visitar o site do congresso pelo endereço: http://www.computeronthebeach.com.br/2011/

ProA: software com validade preditiva de alunos com dificuldades de aprendizagem em matemática.

Ma. July S. Gomes1,2, Ma.Caroline Di Bernardi Luft1,2, Daniel Priori2, Dr. Emílio Takase1

1Laboratório de Educação Cerebral (LEC) – Departamento de Psicologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis – SC – Brasil

2 Sina-Psi – Serviço Integrado de Neurociência Aplicada e Psicologia -Florianópolis – SC – Brasil

july@sina-psi.com, caroluft21@yahoo.com.br, danpriori@sina-psi.com, takase@educacaocerebral.com

1. Resumo Expandido

O uso de jogos computadorizados, enquanto instrumentos para aprendizagem educacional, tem sido enfatizado nos últimos anos [Silveira, 1998; Moratori, 2003], porém, o uso para avaliação ainda é incipiente. Tarefas e testes computadorizados vêm ganhando evidência, e apresentam diversas vantagens em relação às avaliações em formato “lápis e papel”, como: maior fidedignidade nos dados obtidos; ampliação da capacidade de aleatorização dos estímulos, de medidas repetidas e do controle do período de apresentação; possibilidade de mensuração de intervalos de tempo em unidades milimetricamente fracionadas; facilidade na tabulação e armazenamento dos dados e aumento da fidedignidade para obtenção de variações entre sujeitos, e não apenas entre grupos [Parsons, Silva, Pair, & Rizzo, 2008]. Quanto às dificuldades de aprendizagem, diferentes autores têm enfatizado o papel da memória de trabalho enquanto mecanismo básico para o desenvolvimento da habilidade matemática, assim como um componente geral da aprendizagem escolar [Alloway, Gathercole, 2009].

O objetivo desse trabalho é apresentar as características do sistema de avaliação cognitiva ProA, uma bateria computadorizada composta por 4 tarefas cognitivas capazes de diferenciar alunos com dificuldades e facilidade em matemática [Luft et al 2010]. As tarefas avaliam os seguintes domínios cognitivos: atenção seletiva, memória de trabalho, habilidade visuo-espacial e habilidade aritmética. O sistema apresenta formato jogo e é aplicado online, em um ambiente amigável, possibilitando avaliação em larga escala.

Rastrear as habilidades cognitivas relacionadas à aprendizagem de um grande número de alunos, com fidedignidade e mantendo-os concentrados na tarefa, é uma inovação no campo da avaliação cognitiva. A finalidade de tal rastreamento é identificar alunos com maior risco de desenvolver baixo desempenho escolar. No entanto, para identificar tais dificuldades com base no desempenho cognitivo nas tarefas da bateria ProA, foi necessário inspecionar-se os escores (velocidade de resposta e acurácia) em cada tarefa de cada aluno individualmente. Considerando que as relações entre habilidades cognitivas e desempenho escolar não são lineares, uma rede neural artificial supervisionada (multilayer perceptron com três camadas) foi treinada com os dados de 348 alunos de uma escola, a fim de identificarem-se aqueles com baixo desempenho em matemática (com base nas notas bimestrais). Utilizando 60% dos dados para treinamento, 15% validação e 15% teste, a rede obteve uma acurácia geral de 87.1% (treinamento), 82% (validação) e 87% (teste). Esses são resultados preliminares de um projeto que envolverá o desenvolvimento de um sistema que integre a rede aos jogos e funcione online, em tempo real. Assim, uma vez identificado o risco, maior atenção poderá ser dada ao aluno, ou mesmo encaminhamento a profissionais especializados, a fim de evitar frustração e preconceito devido ao baixo desempenho escolar.

A opção por um sistema online deu-se com o propósito de facilitar a distribuição, manutenção e utilização do mesmo para seus usuários que, por sua vez, não têm o trabalho de instalá-lo em seus computadores. O software foi desenvolvido em plataforma Adobe Flash para recursos do sistema como os jogos e elementos gráficos nos relatórios de avaliação cognitiva. Para processamento dos dados que estão armazenados em banco de dados MySQL e na geração da interface do cliente foi utilizado a plataforma PHP em servidor Linux de alta capacidade e largura de banda. Assim, suporta facilmente a demanda do tráfego de dados online entre o computador cliente e o servidor. A comunicação entre os dois é realizada em ambiente criptografado, garantindo a segurança e sigilo dos dados.

Referências

Alloway T. P., Gathercole S.E., Kirkwood H. and Elliott J. (2009). The cognitive and behavioral characteristics of children with low working memory. Child development, 80(2):606-21

Luft, C. B., Gomes, J. S., Priori, D., Takase, E. (2010). Desempenho cognitivo de estudantes com dificuldade e facilidade em português e matemática: um estudo de validade ecológica. In: I Congresso Internacional de Neuropsicologia e Neuropsiquiatria, 2010, Goiânia. Dementia & Neuropsychologia. São Paulo, 4:90-91.

Moratori, P. B. (2003) Porque utilizar jogos educativos no processo de ensino aprendizagem. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.nce.ufrj.br/ensino/posgraduacao/strictosensu/ginape/publicacoes/trabalhos/PatrickMaterial/TrabfinalPatrick2003.pdf

Parsons, T. D., Silva, T. M., Pair, J., & Rizzo, A. A. (2008). Virtual environment for assessment of neurocognitive functioning: virtual reality cognitive performance assessment test. Stud Health Technol Inform, 132, 351-356.

Rotzer S, Loenneker T, Kucian K, Martin E, Klaver P, von Aster M. (2009) Dysfunctional neural network of spatial working memory contributes to developmental dyscalculia. Neuropsychologia, 47(13):2859-65

Silveira, S. R. Barone, D. A. C. (1998). Jogos Educativos Computadorizados utilizando a Abordagem de Algoritmos Genéticos. In: IV Congresso RIBIE, Brasília. Disponível em: http://www.url.edu.gt/sitios/tice/docs/trabalhos/151.pdf

ProA e promoção de Natal: pague 1 mês e use 3!

ProA é a primeira bateria online de avaliação cognitiva brasileira que reúne 4 habilidades: atenção seletiva, memória de trabalho, habilidade visuo-espacial e aritmética.

ProA tem formato de um jogo, e é muito divertido de ser aplicado. E os resultados são tabulados pelo software e apresentados em formato gráficos, facilitando a interpretação!

Nesse mês de dezembro, ProA está em promoção: você paga o valor da licença mensal e ganha mais 2 meses para usá-la.

Isso mesmo, você paga por 1 mês, e usa durante 3.

Conheça ProA! www.sina-psi.com/proa

Veja abaixo, as publicações científicas envolvendo ProA. Clique nos links disponíveis para acessar os resumos ou envie um email para july@sina-psi.com que eu os encaminho.

“… A memória de trabalho tem sido relacionada tanto a dificuldades em matemática quanto em matemática e leitura. Na pesquisa com ProA, o número de erros na tarefa de memória de trabalho visuo-espacial diferenciou o desempenho de estudantes com dificuldade em ambas as disciplinas, assim como apenas em matemática, vindo ao encontro da literatura internacional”.

1)      Avaliação neuropsicológica computadorizada: um instrumento para avaliar o desempenho cognitivo de atleta. Comunicação oral no XIV Congresso Brasileiro de Psicologia do Esporte. Curitiba, agosto de 2010;

http://www.crppr.org.br/congressoesporte/pdf_temalivre/14.pdf

2)      Funções Executivas e Desempenho Escolar em Matemática: Estudo preliminar com um software cognitivo Comunicação oral no IX Encontro Mineiro de Avaliação Psicológica e II Congresso Latino Americano de Avaliação Psicológica. Belo Horizonte, setembro de 2010, p.79;

http://www.fafich.ufmg.br/emap/programacao/programacao_final.php?baixar=IX_EMAP_Programacao_VERSAO%2006_10_Final.pdf

3)      Diferenças entre Sexo em Tarefas Cognitivas: Estudo preliminar. Comunicação oral no IX Encontro Mineiro de Avaliação Psicológica e II Congresso Latino Americano de Avaliação Psicológica. Belo Horizonte, setembro de 2010, p.83;

http://www.fafich.ufmg.br/emap/programacao/programacao_final.php?baixar=IX_EMAP_Programacao_VERSAO%2006_10_Final.pdf

4)    Desempenho Cognitivo de Estudantes com Dificuldade e Facilidade em Português e Matemática: um estudo de validade ecológica. Comunicação oral no I Congresso Internacional de Neuropsicologia e Neuropsiquiatria. Goiânia, novembro de 2010, p.91;

http://www.congressointernacionaldeneuropsicologia.com/images/Suplemento_01_V04.pdf

5)      Bateria Computadorizada ProA: orientações teóricas, práticas e validação do sistema. Mini curso ministrado no I Congresso Internacional de Neuropsicologia e Neuropsiquiatria. Goiânia, novembro de 2010, p. 24;

http://www.congressointernacionaldeneuropsicologia.com/images/Suplemento_01_V04.pdf

Como posso utilizar ProA na minha profissão?

 Aritmética

Tarefa de Atenção Seletiva da bateriaProA

Atenção Seletiva

Memória Trabalho

Visuo-Espacial

ProA é um sistema de monitoramento cognitivo com foco na identificação do desempenho cognitivo nas seguintes

habilidades: atenção seletiva, memória de trabalho, habilidade visuo-espacial e habilidade aritmética.

Os resultados obtidos através da aplicação do software ProA podem ser utilizados de diferentes forma. Abaixo, exemplificamos um estudo de caso de como os indicadores do relatório ProA podem ser utilziados na identificação e monitoramento cognitivo na área clínica da psicologia, neuropsicologia ou psicopedagogia.

ESTUDO DE CASO:
O caso apresentado é sobre um cliente de 10 anos de idade, com dificuldades no aprendizado da matemática. Associada a essa dificuldade, foi relatado que a criança tem dificuldade em prestar atenção, nem sempre conseguindo completar as tarefas por não entendê-las. Não apresenta problemas de relacionamento com colegas e familiares. Observe no gráfico dos indicadores gerais indícios de que a memória de trabalho está prejudicada, uma vez que ele está 2.2 desvios-padrão abaixo da média de referência da sua idade. A habilidade aritmética também está abaixo da média, o que justifica sua dificuldade, vinculada às operações aritméticas básicas. A sua atenção seletiva também está um pouco abaixo da média, mas ainda assim está dentro do esperado. A habilidade visuo-espacial está acima da média, o que reforça ainda mais a hipóteses de que a dificuldade no raciocínio aritmético pode estar ocorrendo em função da baixa eficiência na memória de trabalho.

Gráfico 12. Gráfico de desempenho geral tarefas ProA – estudo de caso.

Observando-se os indicadores de tendência cognitiva, verifica-se que, apesar de o desempenho no teste de atenção seletiva estar abaixo da média nos indicadores gerais, o cliente apresenta velocidade e estabilidade dentro do considerado normal, mas a acurácia de resposta prejudicada. Esses resultados sugerem que esse cliente apresentou dificuldade em responder corretamente nas tarefas de atenção seletiva e memória de trabalho, o que pode ser um indicativo de dificuldade nessas habilidades em si, característico de transtorno do déficit de atenção, com ou sem hiperatividade (TDA ou TDAH).

Tabela 3: Tendências Cognitivas Gerais: Velocidade, Acurácia e Estabilidade

Considerando-se que os indicadores de tendência são obtidos a partir dos dados das duas primeiras tarefas, é interessante observar mais atentamente o desempenho dos indicadores nas tarefas específicas. A partir do desempenho geral, temos a variável relacionada à atenção seletiva está abaixo da média, e acurácia muito abaixo do esperado. Observe o gráfico, com base no que você aprendeu na explicação do manual, e tente interpretar os resultados na atenção seletiva.


Gráfico 13.
Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Atenção Seletiva – estudo de caso

Como você pode observar, o desempenho no nível 1 foi dentro do esperado, o que indica que a velocidade de resposta e nomeação da cor estão normais (lembre-se, o nível 1 serve como uma linha de base da velocidade de resposta do sujeito à uma tarefa simples, que consiste em visualizar uma cor e nomeá-la clicando no botão com o respectivo nome). No nível 2 o sujeito deve inibir leitura da palavra e realizar a mesma tarefa de nomeação da cor, e é justamente nesse nível que se observa uma queda no desempenho desse cliente. Observe que o efeito stroop está 1.03 desvios-padrão abaixo da média, o que indica uma dificuldade na habilidade de inibir um estímulo e selecionar outro, relevante à tarefa.
Ressalta-se também que as respostas foram bastante estáveis (sua velocidade de reposta foi similar em todas as tentativas), o que indica uma dificuldade específica ao filtro do estímulo e não necessariamente na consistência entre as tentativas. No nível 3, com pressão, o cliente continuou com o efeito stroop abaixo da média, mas dentro do esperado, 0.49 desvios-padrão abaixo da média. Os demais indicadores melhoraram, o que indica um efeito positivo da pressão no seu desempenho. Ressalta-se que pessoas com níveis de ativação muito baixos têm maior probabilidade de melhorar o desempenho quando são pressionadas, considerando a teoria sobre a relação entre ativação e desempenho do U invertido (Arent & Landers, 2003).

O gráfico e a tabela de erros, a seguir, mostram seu desempenho na memória de trabalho. Tente agora analisar os resultados do próximo gráfico a partir da explicação e do exemplo fornecido anteriormente. Você consegue interpretar esses resultados?

Gráfico 14. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso.

Tabela 4: Erros na tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso.

No nível 1, o cliente apresentou desempenho dentro do esperado, em todos os indicadores. No entanto, os seus resultados no nível 2 indicam que ele está -2.20 desvios-padrão abaixo da média para a sua idade (gráfico) e que o seu número de erros foi bastante elevado para a sua idade (9 erros, referência para “prejudicado” é mais de dois erros). No nível 3 o seu desempenho melhorou um pouco, mas o número de erros (olhar na tabela), continua elevado para a faixa etária.
Se você comparar os resultados da tarefa de atenção seletiva com os resultados da memória de trabalho, perceberá que ele teve um desempenho pior na memória de trabalho em relação à atenção seletiva. Hoje em dia, sabe-se que um dos principais fatores para aprender matemática é a memória de trabalho (Berg, 2008; Hitch, 1978; Imbo, Duverne, & Lemaire, 2007). Um estudo (McLean & Hitch, 1999) com crianças com dificuldade na aprendizagem da matemática demonstrou que a memória de trabalho visuoespacial (que é mensurada no ProA) é a principal variável que diferencia as crianças que tem facilidade e dificuldade na realização de operações aritméticas, de forma que o grupo com dificuldade em matemática foi o que teve o pior desempenho em memória de trabalho visuo-espacial. O interessante é que esses grupos não apresentaram diferenças em relação a outros tipos de memória de trabalho.

A seguir temos o gráfico com os resultados desse cliente para a tarefa de habilidade visuo-espacial. Analise-o, procurando interpretar seu desempenho nos três níveis dessa tarefa.

Gráfico 15. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Visuo-Espacial  – estudo de caso.

Observa-se que o desempenho do cliente nos níveis 1, 2 e 3 está acima da média, especialmente nas variáveis desempenho geral e velocidade. A acurácia melhora no nível três, o que reforça os achados anteriores de que a pressão exerce uma influência positiva na sua acurácia. No entanto, para melhorar a acurácia no nível três o cliente precisou responder mais devagar, dada a queda na sua velocidade de resposta. Alguns estudos (Grabner, et al., 2009; Ward, Sagiv, & Butterworth, 2009) demonstram que a habilidade visuo-espacial é essencial para realizar operações aritméticas com eficiência. No entanto, a habilidade visuo-espacial não está prejudicada nesse cliente e, portanto, não é algo que esteja afetando sua aprendizagem em matemática. Essa análise ajuda a identificar, também, que uma das formas eficazes de processamento de informações, realizada por esse cliente, é visuo-espacial, e isso pode contribuir na seleção de estratégias de ensino que o ajudem a utilizar esse recurso para realizar cálculos.

Os resultados desse cliente para a tarefa de habilidade aritmética são apresentados a seguir.

Gráfico 16. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Aritmética – estudo de caso

Como você deve ter observado no gráfico, seu desempenho foi ruim na tarefa de aritmética, pois os valores nos três indicadores estão mais de um desvio-padrão abaixo da média. No nível 2, quando a dificuldade da tarefa aumenta, o desempenho cai bastante, o que indica a dificuldade específica em organizar mentalmente os cálculos, o que é evidenciado pelo indicador com o maior valor negativo: a eficiência.
Esse resultado indica que o cliente está realizando muitas operações para cálculos que exigiriam poucos cliques, ou seja, está com dificuldade em realizar os cálculos mentalmente, antes de executá-lo na tarefa. Uma hipótese é que a principal estratégia que ele esteja usando seja a tentativa e erro, e não a elaboração mental do raciocínio aritmético. Adicionalmente, pode-se notar que o cliente melhorou no nível três, quando foi pressionado pela bomba e marcador de tempo. Da mesma forma que nas outras tarefas, a pressão exerceu um efeito positivo no seu desempenho. Esses resultados na aritmética confirmam a dificuldade do aluno em aprender matemática, que parece também estar associada à sua baixa habilidade de fazer operações aritméticas mentalmente, de forma eficaz.
Através do gráfico de desempenho por tentativas da tarefa de atenção seletiva, é possível observar que o desempenho foi mais estável no nível 1 (resposta de identificação simples). No nível 2 (em azul), o sujeito apresentou grandes oscilações de velocidade de resposta e cometeu dois erros, um na oitava tentativa e outro na décima quinta. No nível 3, sob pressão, ele reduziu os tempos de resposta e manteve maior estabilidade, sem errar. Esses dados reforçam que esse cliente reage bem sob pressão.

Gráfico 17. Desempenho por tentativa nos níveis da tarefa Atenção Seletiva – estudo de caso

Conforme esperado devido à observação dos gráficos anteriores, o gráfico de desempenho por tentativas da tarefa de memória de trabalho demonstra que o cliente errou bastante na tarefa de memória de trabalho. Note que a observação e a análise dos níveis, nesse gráfico, ficam dificultadas devido à sobreposição das linhas e ao excesso de marcadores de erro. Para melhorar a visualização, o ideal é selecionar o nível que deseja visualizar, um por vez. Como esse manual apresenta as figuras estáticas, foram selecionadas as imagens de cada nível separadamente.

Gráfico 18. Desempenho por tentativa nos níveis da tarefa Memória de Trabalho

Observe que no gráfico do nível 1 do jogo de memória houve só um erro, cometido no início da bateria, na segunda tentativa.

Gráfico 19. Desempenho por tentativa no nível 1 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

No nível dois, onde o número de itens aumenta para quatro, se observa um maior número de erros, que não estão localizados nem no fim nem no inicio da bateria, sugerindo um problema na memória de trabalho que não está relacionado com aprendizagem da tarefa, nem com fadiga de execução da bateria.

Gráfico 20. Desempenho por tentativa no nível 2 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

No nível 3, com a pressão, observa-se uma melhora do desempenho do cliente, que comete menos erros, concentrados no início da bateria (com exceção de um na tentativa 14). Isso reforça os outros indicadores que a resposta do cliente melhora sob pressão, que parece contribuir positivamente para a sua performance.

Gráfico 21. Desempenho por tentativa no nível 3 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

Ao analisar-se os gráficos por tentativa na habilidade visuo-espacial, pode-se notar que ele teve praticamente o mesmo número de erros em cada nível, 4 nos dois primeiros e 3 no último. Observa-se também que os tempos de resposta oscilaram mais no nível 1, estabilizaram até a tentativa 7 do nível dois e subiram no nível 3, que foi o nível com menos erros. Como observamos nos gráficos anteriores desse cliente, a habilidade visuo-espacial pode ser considerada o ponto forte das funções cognitivas mensuradas e, dessa forma, menos energia será gasta na interpretação dessa parte do relatório.

Gráfico 22. Desempenho por tentativa, separados por níveis, da tarefa Visuo-Espacial

A seguir, pode-se analisar o desempenho apenas no nível 3, sob pressão. Observa-se que o desempenho nas tarefas de atenção e memória de trabalho (executivas) melhorou bastante sobre pressão, enquanto as outras duas permaneceram semelhantes. Uma possibilidade que explica esse resultado seria que, em função de esse cliente ter o nível de ativação cortical (arousal) muito baixo, sob pressão ele consegue ativar-se e desempenhar melhor na tarefa, o que costuma ser verificado em crianças com TDA (Brennan & Arnsten, 2008).
A análise de todos os resultados desse cliente indica que a sua dificuldade na aprendizagem da matemática está vinculada principalmente à memória de trabalho. A atenção seletiva também mostrou um funcionamento abaixo do esperado, o que também indica que há necessidade de ficar atento a essa função. A habilidade visuo-espacial é o forte desse cliente, e por isso, algumas estratégias de ensino podem utilizar-se dessa habilidade para facilitar a aprendizagem da matemática nesse cliente.

Referências
Arent, S. M., & Landers, D. M. (2003). Arousal, anxiety, and performance: a reexamination of the Inverted-U hypothesis. Res Q Exerc Sport, 74(4), 436-444.
Berg, D. H. (2008). Working memory and arithmetic calculation in children: the contributory roles of processing speed, short-term memory, and reading. J Exp Child Psychol, 99(4), 288-308.
Brennan, A. R., & Arnsten, A. F. (2008). Neuronal mechanisms underlying attention deficit hyperactivity disorder: the influence of arousal on prefrontal cortical function. Ann N Y Acad Sci, 1129, 236-245.
Chen, M. C., & Lin, H. J. (2009). Self-efficacy, foreign language anxiety as predictors of academic performance among professional program students in a general English proficiency writing test. Percept Mot Skills, 109(2), 420-430.
Grabner, R. H., Ischebeck, A., Reishofer, G., Koschutnig, K., Delazer, M., Ebner, F., et al. (2009). Fact learning in complex arithmetic and figural-spatial tasks: the role of the angular gyrus and its relation to mathematical competence. Hum Brain Mapp, 30(9), 2936-2952.
Hitch, G. J. (1978). The role of short-term working memory in mental arithmetic. Cognitive Psychology, 10(3), 302-323.
Imbo, I., Duverne, S., & Lemaire, P. (2007). Working memory, strategy execution, and strategy selection in mental arithmetic. Q J Exp Psychol (Colchester), 60(9), 1246-1264.
McLean, J. F., & Hitch, G. J. (1999). Working memory impairments in children with specific arithmetic learning difficulties. J Exp Child Psychol, 74(3), 240-260.
Ward, J., Sagiv, N., & Butterworth, B. (2009). The impact of visuo-spatial number forms on simple arithmetic. Cortex, 45(10), 1261-1265.