Neurofeedback e Biofeedback – Fundamentos e Prática Clínica

Caros colegas,

Em função de  questões e emails que eu venho recebendo, decidimos modificar o curso “Biofeedback na Prática Clínica” para “Neurofeedback e Biofeedback – Fundamentos e Prática Clínica” de modo a abranger questões pertinentes ao uso da técnica de neurofeedback.

http://educareinstitute.com.br/ver/curso/neurofeedback-e-biofeedback-fundamentos-e-pratica-clinica-presencial-em-sao-paulo-11-de-junho/

O biofeedback e o neurofeedback são técnicas de autorregulação psicofisiológica, que contribuem para a ampliação do estado de consciência acerca de si mesmo, facilitando a integração corpo-mente. Ambas as técnicas utilizam sensores e softwares para o monitoramento fisiológico e, através do mecanismo de retroalimentação por condicionamento operante, o paciente é capaz de aprender a autorregular diminuindo respostas disfuncionais como, por exemplo, as respostas de palpitação cardíaca, sudorese na palma das mãos ou pensamentos invasivos, tão comuns em pacientes com transtornos de ansiedade.

Nesse curso introdutório, você terá uma visão geral de ambas as técnicas de treinamento e de suas aplicações. Você aprenderá acerca dos tipos de avaliação utilizadas para o neurofeedback (introdução) e também como fazer uma avaliação acercado equilíbrio do sistema nervoso autonômico, utilizando dados da variabilidade da frequência cardíaca (atividade prática)

Ao concluir esse curso você será capaz de identificar, no seu paciente, sintomas que estejam relacionados ao desbalanço entre os sistemas simpático e parassimpático, além de conhecer ferramentas que poderão ser usadas para o manejo do paciente. Será realizada demonstração de equipamentos e orientações sobre como utilizá-los no contexto clínico.

Clique aqui para saber mais!

 

Carga horária: 8hs

 

Ementa:

  • Biofeedback
    • O que é?
    • Biofeedback X Neurofeedback
    • Modalidades?

 

  • O cérebro e o sistema nervoso autonômico
    • Reações fisiológicas e estados psico-emocionais: uma via de mão dupla
    • Introdução ao funcionamento do cérebro e as áreas de Brodmann
    • Conceitos EEG e ritmos corticais

 

  • Avaliação
    • QEEG X avaliação de baixo custo: vantagens e desvantagens
    • Avaliando o equilíbrio autonômico através da variabilidade da frequências cardíaca (HRV)

 

  • Aplicações e Parte prática
    • Estudo de caso
    • Demonstração

Inscrições pelo site da Educare Institute.

HEG Neurofeedback ou Neurofeedback Hemoencefalográfico

Você sabe o que é HEG Neurofeedback ou Neurofeedback Hemoencefalográfico?

Igor Londero e eu escrevemos um artigo de revisão de literatura sobre HEG neurofeedback, focando nas principais aplicações na área da saúde. Você pode ler o artigo original aqui:

Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde

Mas nesse post, eu vou resumir os principais pontos para você!

* O HEG Neurofeedback, assim como as outras técnicas de biofeedback e neurofeedback, atua com base no condicionamento operante. Nesse, padrões fisiológicos são monitorados e, através do mecanismo de retroalimentação biológica, o feedback é fornecido ao usuário que desenvolve a habilidade de se autorregular.

* No HEG Neurofeedback o sinal monitorado (e usado como feedback ao usuário) é baseado na dinâmica sanguínea cerebral. Temos duas modalidades de HEG Neurofeedback, o PIR e o NIRs

  • PIR Neurfeedback: o feedback é dado em função da vasodilatação ou vasoconstrição dos vasos capilares cerebrais nas áreas treinadas
  • NIRs Neurofeedback: o feedback baseia-se no incremento intencional da oxigenação e perfusão sanguínea. Veja a faixa utilizada para o treinamento com o HEG Neurofeedback, modalidade NIRs a seguir:
Figura 1: Modelo de equipamento para HEG neurofeedback NIR Fonte: Divulgação – Pocket Neurobics/Austrália. Retirado em 2013, de world wide web: http:// pocket-neurobics.com/. Imagem publicada com autorização prévia do fabricante.

Figura 1: Modelo de equipamento para HEG neurofeedback NIR
Fonte: Divulgação – Pocket Neurobics/Austrália. Retirado em 2013, de world wide web: http://
pocket-neurobics.com/. Imagem publicada com autorização prévia do fabricante.

* O PIR Neurofeedback é muito aplicado no controle de enxaquecas do tipo migrânea (se você quiser ler mais sobre essa modalidade, vejam esse estudo bacana de Strokes & Lappin, 2010 – em inglês)

* 3 sessões de HEG Neurofeedback modalidade NIRs por 40 minutos foi suficiente para melhorar o desempenho cognitivo de de 8 sujeitos em uma tarefa de memória de trabalho (se você quiser ler mais sobre esse estudo, veja o artigo completo – em inglês – aqui)

* O treinamento de um jovem de 12 anos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) por 10 sessões contribuiu para a redução na medicação e para a melhora no seu quociente global de inteligência, medido pelos escores da Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças (WISC III) e pelo Teste de Desempenho Individual de Weschler (leia mais sobre esse estudo aqui)

Mais recentemente, apoiei minha colega de pesquisa, a psicóloga Daniella Valverde na sua pesquisa de mestrado, que investigou os efeitos de 10 sessões de neurofeedback na cognição de sujeitos saudáveis. Os resultados são bem promissores e estão sendo preparados para publicação. Ainda não posso compartilhar o artigo (espero fazê-lo em breve), mas você pode acompanhar o trabalho que venho desenvolvendo com a Daniella e mais 2 colegas (Silvio Aguiar e Fernanda Pires) acessando o site alfaneurofeedback.com.br.

 

Para saber mais sobre o tratamento com neurofeedback, entre em contato:

julyneurop@gmail.com

(11) 985718551 (deixe um recado no WhatsApp que eu retorno a ligação!)

Aplicações Neurofeedback Parte 2: Transtornos Psiquiátricos na Vida Adulta

Diversos são os transtornos que ocorrem na vida adulta que podem ser tratados com neurofeedback. O objetivo desse post é apresentar uma visão geral das intervenções mais consolidadas acerca das aplicações do neurofeedback nos quadros psiquiátricos da vida adulta, com base em resultados de pesquisas científicas (nesse post não irei considerar transtornos neurológicos). Ao final, uma lista de referências (em português e em inglês) com links (algumas vezes é possível ler apenas o abstract) de artigos nos quais eu me baseei para produzir esse post.

Já vimos no post anterior sobre as aplicações na infância que os primeiros estudos acerca da possibilidade de autorregulação biológica voluntaria datam de 1950, por Neal E. Miler e que recentemente o neurofeedback tem se tornado mais acessível, tanto em termos técnicos, quanto teórico e instrumental.

Muitas pesquisas têm apresentado resultados promissores no tratamento dos transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e na depressão.

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Essa imagem foi retirada de http://pixabay.com/

Os quadros de ansiedade envolvem, de modo geral, um componente cognitivo-emocional projetado para o futuro, trazendo uma sensação de incerteza e angústia. A ansiedade pode se configurar como um transtorno isolado, ou vir acompanhada (ou acompanhar) outros transtornos. Diversos trabalhos têm demonstrado que, independente dessa configuração, a ansiedade responde bem ao tratamento com neurofeedback. Já o TOC, caracterizado pelos pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos, compartilha também sintomas de ansiedade, e tende a ter uma resposta similar, porém o treinamento pode ser mais prolongado.

Nos quadros depressivos e de desregulação do humor, o treinamento tem sido mais promissor com aqueles cujo transtorno é leve à moderado, sendo mais prolongado na depressão grave.

A associação de diferentes modalidades, incluindo biofeedback associado ao neurofeedback, é de grande valia para um tratamento global do transtorno e contribui para a generalização em situações fora do ambiente terapêutico.

 

 

Como funciona?

O princípio de funcionamento do neurofeedback é baseado na capacidade de associação e aprendizagem do nosso cérebro. Utilizando-se sensores capazes de captar respostas biológica cerebrais (variando de acordo com a modalidade) é possível o treinamento de autoregulação, através da retroalimentação biológica. Na prática, a resposta captada é utilizada pelo próprio paciente como informação para que ele aprenda a regular essa resposta, muitas vezes controlando um filme, um game ou produzindo notas musicais (no caso, essas mídias são controladas pelos padrões de ativação registrados).

Depois de um certo número de sessões, o organismo desenvolve a capacidade de manter essa regulação, mesmo fora do ambiente clínico, trazendo melhoras globais no funcionamento e performance do paciente.

É importante ressaltar a importância de uma boa anamnese e avaliação do paciente, de modo que o protocolo seja personalizado de acordo com as necessidades e demandas individuais.

 

Entre em contato para saber como o neurofeedback pode ajudar!

julyneurop@gmail.com

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Artigos:

Londero I, Gomes JS. Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde. Ciência e Cognição. 2014; Vol 19(3) 307-314

Gomes JS, Coghi MF, Coghi PF. Biofeedback cardiovascular e suas aplicações: revisão de literatura. Avances en Psicología Latinoamericana. 2014; 32(2):199-216.

Dias ÁM. Tendências do neurofeedback em psicologia: revisão sistemática. Psicologia em Estudo. 2010: 811-820.

Dias ÁM, Van Deusen AM, Oda E, Bonfim MR. Clinical efficacy of a new automated hemoencefalographic neurofeedback protocol. The Spanish Journal of Psychology. 2012; 15(03):930-941

Hammond DC. What is neurofeedback: An update. Journal of Neurotherapy. 2011; 15 (4): 305-336.

Schoenberg PLA, David AS. Biofeedback for psychiatric disorders: a systematic review. Applied Psychophysiology and Biofeedback. 2014; 39(2):109-135

Aplicações do Neurofeedback, Parte 1: Infância e Adolescência

Cada vez mais profissionais e pacientes tem me questionado sobre as possíveis aplicações do neurofeedback. De certo modo, é difícil enumerar todas as possibilidades de aplicação, pois a cada dia novas pesquisas com resultados promissores vem surgindo. Porém, apresento aqui uma visão geral das intervenções mais consolidadas na infância e adolescência. Ao final, uma lista de referências (em inglês) com links (algumas vezes e possível ler apenas o abstract) de artigos nos quais eu me baseei para produzir esse post.

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Os primeiros estudos acerca da possibilidade de autoregulação biológica voluntaria datam de 1950, quando o termo biofeedback foi cunhado por Neal E. Miler. As pesquisas e os investimentos no campo variaram a cada década, sendo que nos últimos anos os avanços tecnológicos facilitaram o acesso aos equipamentos, tornando o tratamento mais acessível, e facilitaram a mensuração dos efeitos da técnica.

Dentre as intervenções realizadas para o tratamento de transtornos da infância e adolescência, têm ganhado destaque os resultados obtidos principalmente no Transtorno de Déficit de Atenção e Ansiedade (TDAH). Os artigos de revisão de literatura sobre os efeitos do neurofeedback nesse transtorno pediátrico demonstram efeitos positivo da técnica na redução dos sintomas de desatenção e impulsividade, e menores efeitos sobre a hiperatividade. Os protocolos treinados, de modo geral, envolvem a redução de ondas lentas e aumento do ritmo de 12-15hz, especialmente na região sensório motora. O tratamento para essa condição tende a durar entre 30 e 40 sessões e é atualmente reconhecido pela Associação Americana de Pediatria como uma intervenção eficaz para melhora do TDAH.

A utilização da técnica em crianças do Transtorno do Espetro Autista também tem demonstrado resultados promissores, com redução em sintomas nas escalas de autismo e melhoras cognitivas. De modo geral, o lobo frontal e a região sensório motora têm sido estimulados nesses estudos, com foco na redução das ondas lentas. No entanto, o número de estudos ainda é pequeno e salienta-se a necessidade de intervenções psicossociais para a melhora global desses pacientes.

Pacientes com Dificuldades de Aprendizagem demonstram melhoras com o tratamento, especialmente em habilidades atencionais. Após a intervenção, pesquisadores afirmam que as crianças melhoraram os escores globais e de performance na escala Wechsler de Inteligência. No tratamento da Dislexia, foi observada melhora na capacidade de soletramento das crianças que treinaram os ritmos de ondas cerebrais com neurofeedback.

 

Como funciona?

O princípio de funcionamento do neurofeedback é baseado na capacidade de associação e aprendizagem do nosso cérebro. Utilizando-se sensores capazes de captar respostas biológica cerebrais (mais comumente respostas de ativação cortical) é possível o treinamento de autoregulação, através da retroalimentação biológica. Na pratica, a resposta captada é utilizada pelo próprio paciente como informação para que ele aprenda a regular essa resposta, muitas vezes controlando um filme, um game ou produzindo notas musicais (no caso, essas mídias são controladas pelos padrões de ativação registrados).

Depois de um certo número de sessões, o organismo desenvolve a capacidade de manter essa regulação, mesmo fora do ambiente clinico, trazendo melhoras globais no funcionamento e performance do paciente.

É importante ressaltar a importância de uma boa anamnese e avalição do paciente, de modo que o protocolo seja personalizado de acordo com as necessidades e demandas individuais.

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Artigos:

Londero I, Gomes JS. Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde. Ciência e Cognição. 2014; Vol 19(3) 307-314.

Arns M, de Ridder S, Strehl U, Breteler M, Coenen A. Efficacy of neurofeedback treatment in ADHD: the effects on inattention, impulsivity and hyperactivity: a meta-analysis. Clinical EEG and neuroscience. 2009; 40(3):180-189.

Micoulaud-Franchi JA, Geoffroy PA, Fond G, Lopez R, Bioulac S, Philip P. EEG neurofeedback treatments in children with ADHD: an updated meta-analysis of randomized controlled trials. Frontiers in human neuroscience. 2014;8.

American Academy of Pediatrics. Evidence-based child and adolescent psychosocial interventions. 2012.

Coben R, Linden M, Myers TE. Neurofeedback for autistic spectrum disorder: a review of the literature. Applied Psychophysiology and Biofeedback. 2010; 35(1): 83-105.

Nazari MA, Mosanezhad E, Hashemi T, Jahan A. The effectiveness of neurofeedback training on EEG coherence and neuropsychological functions in children with reading disability. Clinical EEG and Neuroscience. 2012; 43(4):315-322.

Simkin, D. R., Thatcher, R. W., & Lubar, J. (2014). Quantitative EEG and Neurofeedback in Children and Adolescents: Anxiety Disorders, Depressive Disorders, Comorbid Addiction and Attention-deficit/Hyperactivity Disorder, and Brain Injury. Child and adolescent psychiatric clinics of North America,23(3), 427-464.

 

Relato de Caso: Neurofeedback e Transtorno de Pânico

“Tenho 40 anos de idade e há 15 anos convivo com sintomas e limitações por conta de um transtorno psiquiátrico chamado Síndrome do Pânico.  Com o tratamento farmacológico os sintomas foram controlados, porém comportamentos de esquiva e evitação sempre me acompanharam. Hoje estou no 6 semestre do curso de psicologia e um dia navegando pela internet tive meu primeiro contato com o neurofeedback. Me interessei e passei a estudar sobre a técnica. Como gostei muito da teoria, resolvi experimentá-la em minha própria patologia. Entrei em contato com a psicóloga July Silveira Gomes e marquei, a princípio, 10 sessões. Como senti muita melhora decidimos fazer mais 10.

Durante este período apareceu o grande teste: pintou uma viagem para a Inglaterra e eu me senti preparado a enfrentar o desafio, mesmo com o inglês limitado e sabendo que ficaria sozinho em Londres grande parte do tempo.

Por fim, enfrentei 10 horas de vôo, algo até então impensável para mim. A viagem foi maravilhosa, passei dez dias rodando pela Inglaterra e aqui estou escrevendo este depoimento pois fiquei encantado com os resultados que obtive com o neurofeedback.” (Paciente Anônimo)

Foi muito bacana ter recebido esse depoimento e perceber o quanto esse paciente estava animado em compartilhar os resultados obtidos com o treinamento aqui no blog.

O transtorno de pânico se enquadra na categoria dos transtornos de ansiedade (de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª. edição – DSM-5) e possui características bem específicas. A ocorrência de mais de um episódio de pânico é condição sine qua non (imprescindível) para o diagnóstico. Um “episódio de pânico” se refere a um “surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos…” (DSM-5, 2014) com sintomas como palpitação, sudorese, sensação de asfixia, medo de morrer, dentre outros. Existem 13 sintomas que o médico psiquiatra usa como critério diagnóstico.[i]

Ao me procurar, esse paciente demonstrava comportamentos de preocupação e ansiedade com coisas cotidianas. A pressão no trabalho (ele tem um negócio próprio), na faculdade e o ritmo de vida o deixavam bastante “acelerado” e ansioso. Além disso, a preocupação com a re-ocorrência de uma nova crise de pânico o deixava em alerta o tempo inteiro. Ao iniciar o tratamento, ele tomava uma medicação para o pânico[ii] e, além disso, possuía um ansiolítico[iii] na bolsa para usar caso ocorresse uma crise. Afirmou que esse último funcionava como um “amuleto” do qual não conseguia se desvincular, mesmo fazendo mais de 6 meses que não tinha nenhuma crise.

Na avaliação de sintomas, realizada no primero encontro, ele destacou se preocupar excessivamente com as coisas em geral, ter pressa para completar tarefas, ter dificuldade em organizar prioridades, em lembrar séries de números e em sentar sem mover braços e pernas. Além disso, relatou sentir ansiedade e medo sem motivos aparentes para tal. O paciente já praticava Yoga há 2 anos como modo de gerenciar sua ansiedade.

O treinamento com neurofeedback foi realizado durante 20 sessões, durante os meses de julho e novembro de 2014. O protocolo de treinamento foi focado em reduzir ondas excessivamente lentas e excessivamente rápidas na região fronto-temporal e no aumento de ondas do ritmo beta na região frontal do hemisfério esquerdo e de ondas beta-lento na região sensório-motora do hemisfério direito. Além do treinamento do neurofeedback, associou-se o treinamento domiciliar com o biofeedback cardiovascular, com recomendação de uso diário.

Na 5ª. sessão (3a. semana de tratamento) o paciente relata que parou de andar com o ansiolítico na carteira. Afirmou estar sentindo-se muito bem, que sua confiança aumentara com a prática do biofeedback e que estava se sentindo preparado para lidar com as situações que antes evitava por serem (para ele) desencadeantes de ansiedade, como trânsito, ônibus e metrô.

A diminuição da dependência a recursos externos, assim como o aumento da capacidade de autogerenciamento fisiológico foram de vital importância para o sucesso da intervenção, propiciando a redução dos comportamentos de esquiva e aumento da confiança no enfrentamento das situações ansiogênicas, gerando um esquema de retroalimentação onde a cada conquista o paciente reforçava positivamente sua autoconfiança e, assim, foi se tornando mais resiliente contra possíveis recidivas do transtorno.

O gráfico abaixo exibe a intensidade dos principais sintomas percebidos pelo paciente ao início (linha azul), meio (linha laranja) e ao fim do tratamento.

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Escala:

5-7: Intenso ou todos os dias da semana;

2-4: Moderado ou de 2-4 vezes por semana;

1: leve ou 1 vez por semana;

0: Raro/ esporádico ou menos que 1x por semana.

Cabe ressaltar que esse paciente não estava enfrentando nenhum episódio de pânico no momento e que o ponto central no tratamento foi re-equilibrar os padrões de ondas que desencadeavam ansiedade e gasto de energia. Com o treinamento com neurofeedback, esse paciente conseguiu atender às demandas com menos gasto de energia, mais focado e, ao mesmo tempo, retornar ao seu padrão de relaxamento (redução da ativação simpática) mais rapidamente após lidar com as demandas cognitivas ou emocionais.

O neurofeedback é uma técnica focada no indivíduo e não necessariamente na patologia. Pessoas com os mesmos sintomas/ diagnósticos podem se beneficiar de treinamentos diferentes e personalizados, de acordo com as alterações no padrão cerebral que desencadeiam as queixas. O tempo de duração do tratamento é variável, dependendo de diversos fatores, dentre os quais: o quão rápido é o processo individual de aprendizagem de alto-regulação; o quanto cada um consegue transpor o estado mental produzido no treino para o dia a dia, mudanças na rotina; etc.

Entre em contato para saber o que o neurofeedback pode fazer por você!

[i] Consulte seu psiquiatra para entender melhor sobre o transtorno e sintomas.

[ii] obs: não citei o nome da medicação e deixei essa descrição bem genérica pois quero evitar que o post sirva de sugestão de medicações para o transtorno. O acompanhamento de um médico psiquiatra é fundamental para o uso de medicações psiquiátricas, como os indicados para ansiedade, síndrome do pânico, depressão e outros transtornos.

[iii] Mesma observação acima.

Relato de Caso: Neurofeedback e os Desafios da Vida Cotidiana

Há pelo menos 3 meses venho ensaiando esse post… Porém, envolvida nos afazeres e estresse da vida diária, posterguei, procrastinei e fiz escolhas… as escolhas me trouxeram consequências e essas, por sua vez, me deram ainda mais trabalho do que eu já tinha… e o post foi ficando de lado…

Não que as prioridades tenham sido invertidas: o post podia esperar; porém, algumas vezes, a vida toma contornos inesperados perante os quais a única saída é seguir em frente, lidando com os desafios até que o emaranhado vire um novelo de fios harmoniosamente sobrepostos.

(Autorreflexão da própria autora do blog, psicóloga July Silveira Gomes)

Quem nunca se viu frente a um emaranhado de situações, igualmente importantes e urgentes mas que, se não resolvidas da forma adequada, acabam trazendo resultados desastrosos e, em alguma instância, a sensação de que a vida é uma montanha russa (e que nesse momento ela está na sua parte descendente)?

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Bem, esse post é para falar sobre como uma mulher de 30 anos, bem sucedida profissionalmente e independente, chegou até mim à procura do tratamento com neurofeedback com essa sensação. Ela já havia realizado terapia há alguns anos em sua cidade natal, da qual se mudou após a aprovação em um concurso na cidade de São Paulo. Na primeira sessão, todos os sucessos obtidos anteriormente pareciam ter ficado num passado do qual ela falava com saudosismo, como se não tivesse mais energia para ser (ou não soubesse como fazer para voltar a ser) tão batalhadora como antes. Não havia nenhuma crise instalada na sua vida, mas a zona de (des)conforto na qual se encontrava fazia com evitasse novos desafios (profissionais) e mantivesse uma relação afetiva que lhe trazia alguns benefícios secundários, comparados ao estresse emocional, “dor de cabeça” e ciúmes desencadeados.

Seus principais sintomas envolviam questões psico-emocionais (baixa auto-estima, ansiedade e preocupação excessiva), comportamentais (comportamentos compulsivos, especialmente alimentares, procrastinação, dificuldade em eleger prioridades e em organizar o tempo), problemas de sono (dificuldade em iniciar o sono e de acordar descansada/ sem sono restaurador; pesadelo; sonolência durante o dia) e nas relações interpessoais (falta de paciência com os outros). Utilizando escores que variavam de 0-7 (veja legenda antes da tabela), foram elencados 7 sintomas para serem monitorados ao longo do tratamento. A tabela a seguir exibe os escores em 3 momentos do tratamento: início, meio e fim:

Escores:

0= não tive esse sintoma nenhum dia  na última semana;

1= esse sintoma é leve ou raro;

2, 3 e 4 = esse sintoma é moderado;

5, 6 e 7= esse sintoma é severo/ contínuo ou o senti todos os dias na última semana

Início Meio Fim
Sintomas 10 de março 05 de maio 05 de junho
Ansioso 7 4 1
Dificil cair no sono 7 6 1
Dificil acordar descansado 7 3 0
Baixa auto estima 7 2 0
Pressão no peito 7 2 0
Acorda durante sono 7 3 1
Compulsividade 6 2 1

O treinamento foi definido com base nos dados eletrofisiológicos (EEG) e nos sintomas apresentados, sendo estabelecidos protocolos para aumento da perfusão pré-frontal, seguido pelo reforço ao aumento das ondas de 12-15hz na região sensório motora do hemisfério direito (C4, de acordo com o Sistema Internacional de Colocação dos Eletrodos 10-20) e beta no córtex frontal esquerdo (F3, de acordo com o Sistema Internacional de Colocação dos Eletrodos 10-20).

Até a 4ª. Sessão, a paciente apresentava pequenas mudanças, mas parecia relutante em acreditar nos possíveis efeitos de uma terapêutica realizada através de sensores na caixa craniana. Após 15 dias de intervalo em função de uma viagem previamente programada, a paciente retornou ao tratamento otimista, relatando que observara diferenças significativas no seu comportamento, durante a viagem: havia dormido bem todos os dias da viagem (sem precisar usar medicamento para induzir o sono), manteve-se com energia durante o dia (sem cair no sono inapropriadamente) e não sentiu-se incomodada com provocações de outrem (que normalmente a tirariam do sério, deixando-a ansiosa e com compulsividade alimentar).

O treinamento completo foi realizado por 20 sessões, depois das quais a paciente recebeu alta. Ao final do tratamento, a paciente estava confiante o suficiente a ponto de iniciar uma pós graduação stricto senso. Vinte dias após o término, recebi o seguinte depoimento, o qual eu gostaria de compartilhar:

Mesmo tendo apenas 30 anos, um emprego super flexível, casa própria, estabilidade familiar, eu apresentava sintomas de alguém que estava buscando constante e arduamente estabilidade na vida: estresse, insônia, irritação, incapacidade para lidar com os problemas cotidianos. O neurofeedback se apresentou como uma alternativa e, de fato, funcionou. Pude perceber melhoras no meu comportamento e na qualidade do meu sono de forma até muito rápida. Menos ansiedade, mais disposição ao acordar, menos sono em horas inconvenientes e maior adaptabilidade foram meus maiores ganhos“. (Paciente anônima de neurofeedback)

O neurofeedback é um treinamento que visa restaurar o desequilíbrio entre o sistema fisiológico e o psico-emocional. Tem uma gama de aplicações e estudos cada vez maior. Informe-se sobre a técnica e procure um profissional na sua cidade!