HEG Neurofeedback ou Neurofeedback Hemoencefalográfico

Você sabe o que é HEG Neurofeedback ou Neurofeedback Hemoencefalográfico?

Igor Londero e eu escrevemos um artigo de revisão de literatura sobre HEG neurofeedback, focando nas principais aplicações na área da saúde. Você pode ler o artigo original aqui:

Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde

Mas nesse post, eu vou resumir os principais pontos para você!

* O HEG Neurofeedback, assim como as outras técnicas de biofeedback e neurofeedback, atua com base no condicionamento operante. Nesse, padrões fisiológicos são monitorados e, através do mecanismo de retroalimentação biológica, o feedback é fornecido ao usuário que desenvolve a habilidade de se autorregular.

* No HEG Neurofeedback o sinal monitorado (e usado como feedback ao usuário) é baseado na dinâmica sanguínea cerebral. Temos duas modalidades de HEG Neurofeedback, o PIR e o NIRs

  • PIR Neurfeedback: o feedback é dado em função da vasodilatação ou vasoconstrição dos vasos capilares cerebrais nas áreas treinadas
  • NIRs Neurofeedback: o feedback baseia-se no incremento intencional da oxigenação e perfusão sanguínea. Veja a faixa utilizada para o treinamento com o HEG Neurofeedback, modalidade NIRs a seguir:
Figura 1: Modelo de equipamento para HEG neurofeedback NIR Fonte: Divulgação – Pocket Neurobics/Austrália. Retirado em 2013, de world wide web: http:// pocket-neurobics.com/. Imagem publicada com autorização prévia do fabricante.

Figura 1: Modelo de equipamento para HEG neurofeedback NIR
Fonte: Divulgação – Pocket Neurobics/Austrália. Retirado em 2013, de world wide web: http://
pocket-neurobics.com/. Imagem publicada com autorização prévia do fabricante.

* O PIR Neurofeedback é muito aplicado no controle de enxaquecas do tipo migrânea (se você quiser ler mais sobre essa modalidade, vejam esse estudo bacana de Strokes & Lappin, 2010 – em inglês)

* 3 sessões de HEG Neurofeedback modalidade NIRs por 40 minutos foi suficiente para melhorar o desempenho cognitivo de de 8 sujeitos em uma tarefa de memória de trabalho (se você quiser ler mais sobre esse estudo, veja o artigo completo – em inglês – aqui)

* O treinamento de um jovem de 12 anos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) por 10 sessões contribuiu para a redução na medicação e para a melhora no seu quociente global de inteligência, medido pelos escores da Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças (WISC III) e pelo Teste de Desempenho Individual de Weschler (leia mais sobre esse estudo aqui)

Mais recentemente, apoiei minha colega de pesquisa, a psicóloga Daniella Valverde na sua pesquisa de mestrado, que investigou os efeitos de 10 sessões de neurofeedback na cognição de sujeitos saudáveis. Os resultados são bem promissores e estão sendo preparados para publicação. Ainda não posso compartilhar o artigo (espero fazê-lo em breve), mas você pode acompanhar o trabalho que venho desenvolvendo com a Daniella e mais 2 colegas (Silvio Aguiar e Fernanda Pires) acessando o site alfaneurofeedback.com.br.

 

Para saber mais sobre o tratamento com neurofeedback, entre em contato:

julyneurop@gmail.com

(11) 985718551 (deixe um recado no WhatsApp que eu retorno a ligação!)

Aplicações do Neurofeedback, Parte 1: Infância e Adolescência

Cada vez mais profissionais e pacientes tem me questionado sobre as possíveis aplicações do neurofeedback. De certo modo, é difícil enumerar todas as possibilidades de aplicação, pois a cada dia novas pesquisas com resultados promissores vem surgindo. Porém, apresento aqui uma visão geral das intervenções mais consolidadas na infância e adolescência. Ao final, uma lista de referências (em inglês) com links (algumas vezes e possível ler apenas o abstract) de artigos nos quais eu me baseei para produzir esse post.

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Os primeiros estudos acerca da possibilidade de autoregulação biológica voluntaria datam de 1950, quando o termo biofeedback foi cunhado por Neal E. Miler. As pesquisas e os investimentos no campo variaram a cada década, sendo que nos últimos anos os avanços tecnológicos facilitaram o acesso aos equipamentos, tornando o tratamento mais acessível, e facilitaram a mensuração dos efeitos da técnica.

Dentre as intervenções realizadas para o tratamento de transtornos da infância e adolescência, têm ganhado destaque os resultados obtidos principalmente no Transtorno de Déficit de Atenção e Ansiedade (TDAH). Os artigos de revisão de literatura sobre os efeitos do neurofeedback nesse transtorno pediátrico demonstram efeitos positivo da técnica na redução dos sintomas de desatenção e impulsividade, e menores efeitos sobre a hiperatividade. Os protocolos treinados, de modo geral, envolvem a redução de ondas lentas e aumento do ritmo de 12-15hz, especialmente na região sensório motora. O tratamento para essa condição tende a durar entre 30 e 40 sessões e é atualmente reconhecido pela Associação Americana de Pediatria como uma intervenção eficaz para melhora do TDAH.

A utilização da técnica em crianças do Transtorno do Espetro Autista também tem demonstrado resultados promissores, com redução em sintomas nas escalas de autismo e melhoras cognitivas. De modo geral, o lobo frontal e a região sensório motora têm sido estimulados nesses estudos, com foco na redução das ondas lentas. No entanto, o número de estudos ainda é pequeno e salienta-se a necessidade de intervenções psicossociais para a melhora global desses pacientes.

Pacientes com Dificuldades de Aprendizagem demonstram melhoras com o tratamento, especialmente em habilidades atencionais. Após a intervenção, pesquisadores afirmam que as crianças melhoraram os escores globais e de performance na escala Wechsler de Inteligência. No tratamento da Dislexia, foi observada melhora na capacidade de soletramento das crianças que treinaram os ritmos de ondas cerebrais com neurofeedback.

 

Como funciona?

O princípio de funcionamento do neurofeedback é baseado na capacidade de associação e aprendizagem do nosso cérebro. Utilizando-se sensores capazes de captar respostas biológica cerebrais (mais comumente respostas de ativação cortical) é possível o treinamento de autoregulação, através da retroalimentação biológica. Na pratica, a resposta captada é utilizada pelo próprio paciente como informação para que ele aprenda a regular essa resposta, muitas vezes controlando um filme, um game ou produzindo notas musicais (no caso, essas mídias são controladas pelos padrões de ativação registrados).

Depois de um certo número de sessões, o organismo desenvolve a capacidade de manter essa regulação, mesmo fora do ambiente clinico, trazendo melhoras globais no funcionamento e performance do paciente.

É importante ressaltar a importância de uma boa anamnese e avalição do paciente, de modo que o protocolo seja personalizado de acordo com as necessidades e demandas individuais.

Entre em contato para saber como o neurofeedback pode ajudar!

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Artigos:

Londero I, Gomes JS. Neurofeedback hemoencefalográfico (HEG): possibilidades de aplicações no campo da saúde. Ciência e Cognição. 2014; Vol 19(3) 307-314.

Arns M, de Ridder S, Strehl U, Breteler M, Coenen A. Efficacy of neurofeedback treatment in ADHD: the effects on inattention, impulsivity and hyperactivity: a meta-analysis. Clinical EEG and neuroscience. 2009; 40(3):180-189.

Micoulaud-Franchi JA, Geoffroy PA, Fond G, Lopez R, Bioulac S, Philip P. EEG neurofeedback treatments in children with ADHD: an updated meta-analysis of randomized controlled trials. Frontiers in human neuroscience. 2014;8.

American Academy of Pediatrics. Evidence-based child and adolescent psychosocial interventions. 2012.

Coben R, Linden M, Myers TE. Neurofeedback for autistic spectrum disorder: a review of the literature. Applied Psychophysiology and Biofeedback. 2010; 35(1): 83-105.

Nazari MA, Mosanezhad E, Hashemi T, Jahan A. The effectiveness of neurofeedback training on EEG coherence and neuropsychological functions in children with reading disability. Clinical EEG and Neuroscience. 2012; 43(4):315-322.

Simkin, D. R., Thatcher, R. W., & Lubar, J. (2014). Quantitative EEG and Neurofeedback in Children and Adolescents: Anxiety Disorders, Depressive Disorders, Comorbid Addiction and Attention-deficit/Hyperactivity Disorder, and Brain Injury. Child and adolescent psychiatric clinics of North America,23(3), 427-464.

 

Neurofeedback e Transtorno de Déficit de Atenção

Dificuldades em direcionar e manter a atenção são os problemas centrais para pessoas com o transtorno de déficit de atenção (com ou sem hiperatividade). Esse transtorno inicia-se na infância e, quando não tratado, acompanha o indivíduo por sua vida adulta, tendo impactos significativos em diferentes esferas da vida, desde processos básicos de aprendizagem até a vida pessoal e profissional.

Sua base biológica é aceita e reconhecida pela comunidade científica e inúmeros autores têm demonstrado características nos padrões de ondas cerebrais (EEG ou eletroencefalografia) de pessoas com os transtornos que se correlacionam com as queixas apresentadas. O achado que tem sido mais replicado é o excesso de ondas lentas ou Teta, principalmente na região frontal do cérebro e em torno a fissura central, na área de integração sensório-motora. A partir de diversos estudos, estabeleceu-se que um valor elevado da relação entre o padrão de ondas Teta e ondas Beta (onda rápidas) é considerado um indicador de lentificação cerebral, presente em pessoas com o transtorno de déficit de atenção.

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Em outras palavras, o nosso cérebro tem áreas especializadas que se ativam quando estamos realizando uma tarefa cognitiva. De modo geral, quando uma pessoa presta atenção em uma atividade, certas áreas se ativam e o cérebro “ se acelera”. Para pessoas com déficit de atenção, esse processo natural de “acelerar” não ocorre e algumas vezes, durante as tarefas cognitivas, há um aumento das ondas mais lentas, dificultando ainda mais os processos cognitivos.

Cabe acrescentar que o excesso de ondas lentas, e as dificuldades decorrentes, não se limitam a pessoas com o transtorno. O uso excessivo de medicamentos importantes no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos, também tende a aumentar a quantidade de ondas lentas no cérebro.

Como o neurofeedback pode me ajudar?

O neurofeedback é um treinamento cerebral que visa levar a pessoa que está treinando a modificar as suas ondas, com foco em padrões de ativação que tragam o equilíbrio neurofisiológico. Através de um sensor, as ondas do cérebro são captadas e separadas em faixas de ondas. Após a avaliação e definição de quais padrões serão treinados, estímulos auditivos e visuais servem como elementos reforçadores para que o padrão de onda, já filtrado, seja modificado.

Em 2012 a Academia Americana de Pediatria reconheceu o neurofeedback como uma técnica com eficácia número 1, similar à medicação, para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja mais informações: http://sharpbrains.com/blog/2012/10/05/biofeedback-now-a-level-1-best-support-intervention-for-attention-hyperactivity-behaviors/

A Sociedade Internacional para Neurofeedback e Pesquisa produziu um excelente trabalho de revisão de literatura baseado em evidências sobre a eficácia do neurofeedback para o tratamento do transtorno de déficit de atenção. Veja na íntegra em: http://www.isnr.org/uploads/nfb-adhd.pdf